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Filme brasileiro "Carvão" foi selecionado para a competição em Toronto

Publicado em 03/08/22 às 16h00

      Maeve Jinkings em cena de "Carvão", de Carolina Markowicz, que estreia na mostra competitiva do Festival de Toronto

Premiada curta-metragista Carolina Markowicz exibirá seu primeiro longa, Carvão, em première mundial na principal mostra do Festival Internacional de Cinema Toronto, que acontece entre 8 e 18 de setembro. Protagonizado por, traz no elenco ainda Rômulo Braga, Camila Márdila, Aline Marta e o argentino César Bordón (Relatos Selvagens), e será lançado nos cinemas pela Pandora Filmes, com previsão de estreia para o primeiro trimestre de 2023.
 
A exibição do filme na Competição Oficial – Platform marca a volta da cineasta ao Festival de Toronto, no qual já exibiu três curtas: O órfão (2018), Namoro à distância (2017) e Edifício Tatuapé Mahal (2014). Além disso, ela também participou do TIFF Filmmaker Lab, em 2015.
 
Carolina, que também assina o roteiro do longa, conta que o desejo de fazer o filme veio da angústia de ver o Brasil a cada dia mais imune aos absurdos. “Ouvimos nosso presidente dizer que preferiria ter um filho morto a um filho gay. Ouvimos o executivo da maior seguradora de saúde dizer que foram orientados por seus CEOs a deixar as pessoas morrerem durante a pandemia porque ‘morte é alta hospitalar’.”
 
No filme, Maeve interpreta Irene que, com seu marido, Jairo (Rômulo Braga), tem uma pequena carvoaria no quintal de casa. Eles têm um filho pequeno, Jean (Jean Costa), e o pai dela não sai mais da cama, não fala, não ouve. A família recebe uma proposta rendosa, mas também perigosa: hospedar um desconhecido em sua casa, numa pequena cidade no interior. Antes mesmo da chegada dele, no entanto, arranjos precisarão ser feitos, e a vida em família começa a se transformar – nem sempre para melhor.
 
O filme foi rodado em Joanópolis, interior de São Paulo, uma cidade próxima àquela onde a diretora cresceu, e ela confessa conhecer bem esse ambiente rural e retrógrado. “Lá, vivenciei tudo o que uma pequena cidade conservadora pode oferecer: pessoas cuidando da vida umas das outras, famílias unidas pelo fato de que “a família deve ficar unida”, casamentos onde os casais quase se odiavam (mas como é vergonhoso ser solteiro, vamos manter o status quo!). E claro: você pode ser um assassino, mas por favor não seja gay.”
 
Carolina passou, então, a prestar atenção nesse mundo ao seu redor, notando coisas que acabou trazendo para o filme. “Esse ambiente bucólico, mas ao mesmo tempo agitado, fez de mim uma observadora da natureza humana no seu melhor e no seu pior. E também uma admiradora de um senso de humor áspero, áspero e ácido, capaz de retratar todos os maiores desastres humanos e idiossincrasias de uma maneira bastante estranha.”
 
Carvão surge então da sua tentativa de “entender como a violência, religião e hipocrisia tomaram conta de nossas vidas e corpos de uma forma que nem percebemos mais.”

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