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Festival do Cinema Italiano tem sessão de abertura no Auditório Ibirapuera

Publicado em 02/11/21 às 10h41

 
Alessandro Capitani, diretor de "Nossos Fantasmas", atração do Festival de Cinema Italiano Crédito: Neusa Barbosa
 
Com uma sessão especial para convidados no Auditório Ibirapuera, nesta noite de 2 de novembro, inicia-se a 16ª edição do Festival de Cinema Italiano, que terá programação presencial no cine Belas Artes, em S. Paulo, entre 5 e 12 de novembro, e online entre 5 de novembro e 5 de dezembro.
 
A atração da abertura é a comédia dramática inédita Nossos Fantasmas, segundo filme do diretor Alessandro Capitani, que está em S. Paulo. No filme, um pai viúvo e desempregado, Valerio (Michele Riondino), e seu filho de 6 anos, Carlo (Orlando Forte), vivem escondidos no sótão de um apartamento, passando-se por fantasmas para espantar os candidatos a inquilinos. As coisas mudam quando ali se estabelece Myriam (Hadas Yaron), que foge do marido abusivo (Paolo Pierobon) com a filha bebê.
 
Em entrevista exclusiva ao Cineweb, o diretor comentou sobre a escolha deste elenco, que inclui a atriz israelense Hadas Yaron, que foi premiada em Veneza em 2012 pelo filme Preenchendo o Vazio. Capitani ressalta que, num certo momento de desenvolvimento do roteiro, sentiu a necessidade de que a personagem fosse estrangeira – porque isso facilitava seu retrato de fragilidade, não tendo família ou outros núcleos de apoio ao fugir do marido violento. Ele realizou testes com atrizes estrangeiras e acabou optando por Hadas, que havia feito dois outros filmes na Itália, com o diretor Gianni Zanasi – La felicità è un sistema complesso (2015) e Lucia cheia de graça (2018) – e não precisou ser dublada. Fora isso, a própria figura física da atriz era conveniente a um sentido de proteção que ele queria inserir na história: “Ela é uma figura pequena, frágil, que se comunica com os olhos. Dá vontade de abraçá-la. Ela tinha todas as características para interpretar essa personagem”.
 
Quanto a Orlando Forte, trata-se da estreia do menino no cinema. Ele foi escolhido num processo de casting. Tem apenas 7 anos mas chamou a atenção do diretor não só por sua doçura como por ser capaz de compreender com muita rapidez as diferentes emoções que deveria interpretar na história. Ele admite que é “muito difícil trabalhar com crianças” mas, afinal, conseguiram até mesmo fazer atuar um bebê de 1 ano e meio – Emma, a filha de Myriam, interpretada por duas gêmeas.
 
Isto era fundamental porque, para o diretor e roteirista, “uma coisa muito bela neste filme é que os filhos falam no lugar dos adultos. É como se disséssemos que os adultos devem escutar mais o que falam as crianças”. Ele acrescenta que são as crianças, afinal, que permitem a criação de laços entre os protagonistas e projetam uma ideia de família. “Essa vontade de família parte dos filhos, não dos adultos. As crianças são mais diretas, sem mentiras”, sublinha.
 
O filme trata de dois temas fortes, a violência doméstica e o desemprego, mas abre espaço ao recurso à fantasia – como quando Valerio cria um mundo à parte para proteger o filho dos problemas, como a morte da mãe. “Há muitos temas dentro do filme e são eles, finalmente, os ‘fantasmas’, os ‘fantasmas interiores’ de todos nós”, explica. Estes são a dificuldade de encarar a violência doméstica e o desemprego, mas, como faz questão o diretor, “sem perder de vista a delicadeza”. Além disso, diz, tanto Valerio quanto Myriam compartilham “a dificuldade de voltar à normalidade, encontrar um emprego, viver em família”.
 
Um outro personagem secundário, o coronel aposentado (Alessandro Haber) que é vizinho de Myriam, a princípio uma figura negativa, que a espiona e parece dedo-duro, tem uma evolução que Capitani considera central. “Se há uma mensagem neste filme, é que, muitas vezes, os nossos próprios problemas se resolvem reconhecendo os problemas dos outros, aprendendo a conhecer-nos a nós mesmos”.
 
Música na abertura
Além do filme, a abertura terá a participação do Quarteto Maestro Emmanuele Baldini, que tocará peças de trilhas sonoras de filmes italianos clássicos, selecionados para a retrospectiva “As mais belas trilhas sonoras do cinema italiano”, que acontecerá entre 5 de novembro e 05 de dezembro para visualização online por meio do site do festival, e inclui 16 longas com trilhas compostas por Ennio Morricone, Nino Rota, Nicola Piovani, Ritz Ortolani, Andre Guerra, Valerio Vigilar e Piero Piccioni, e inclui filmes como Os Palhaços, Era uma vez na América, O Pássaro das Plumas de Cristal e Mimi, O Metalúrgico.
 
O quarteto é formado por Emmanuele Baldini, Spalla da OSESP, e três jovens da Academia da OSESP: Paloma Rossatto (2o violino), Yohanna Alves (viola) e Daniel Tassotti (violoncelo).

O filme Nossos Fantasmas faz parte da programação do 16º Festival de Cinema Italiano e terá outras sessões. Confira este e outros filmes da programação.

Neusa Barbosa


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