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"Deserto Particular", de Aly Muritiba, compete na seção Giornate degli Autori em Veneza

Publicado em 01/09/21 às 13h10

Deserto particular

Deserto Particular, novo filme de Aly Muritiba (trailer acima), fará sua première mundial no Festival de Veneza, que acontece de 1 a 11 de setembro. O filme concorre na seção Giornate degli Autori (Venice Days).
 
O diretor baiano radicado no Paraná tem em sua filmografia trabalhos como Jesus Kid, selecionado para o Festival de Gramado, Para Minha Amada Morta, exibido em San Sebastian e vencedor de sete candangos no Festival de Brasília, e Ferrugem, que teve estreia mundial no Festival de Sundance e foi escolhido melhor filme no Festival de Gramado.
 
Em Deserto Particular, Muritiba lida com aquilo que ele chama de “os afetos masculinos no Brasil contemporâneo”. O longa é protagonizado por Antonio Saboia (Bacurau), como Daniel, um policial afastado do trabalho depois de cometer um erro. Ele mora em Curitiba, com um pai doente, de quem cuida com devoção. Taciturno, Daniel fala pouco e sorri menos ainda,. Seu único motivo de alegria é a misteriosa Sara, uma moça que mora no sertão da Bahia, e com quem se corresponde por aplicativo de celular. O desaparecimento súbito de Sara leva Daniel a cruzar o país em busca de seu amor.
 
Sobre o filme, fala o diretor: “Deserto Particular é um filme de encontros. Desde 2016, com o golpe que tirou do poder uma presidenta democraticamente eleita, minha geração, formada depois da ditadura militar, enfrenta o momento mais dramático de sua existência. O país afundou numa espiral de ódio que culminou com a eleição de um fascista como presidente. Depois da eleição de Jair Bolsonaro, todas as minorias, mulheres, indígenas, a comunidade LGBTQIA+, negros, entre outros, passaram a ser sistematicamente perseguidas, e o país se dividiu entre o sul conservador e o norte e nordeste progressista. Essa época de ódio me motivou quando decidi sobre o que seria meu próximo filme. Faria uma obra sobre encontros. Nesse momento de ódio, resolvi fazer um filme sobre o amor”.
 
Para Muritiba, a cidade de Sobradinho, como cenário, serve como uma metáfora para os personagens. “Sempre me interessei por aquela pequena cidade erguida ao redor de uma enorme represa. Sobradinho é uma cidade rodeada de energia elétrica, mas também levantada sob o signo do represamento, do controle do fluxo das águas. Essa energia decorrente desse represamento move meus personagens, mas também essa vontade de sair se derramando por aí.” E filmar ali “foi um desafio proporcional à magnitude da represa que há na cidade. Havia toda uma energia no set que com toda certeza contagiou o filme.”
 
Também diretor de documentários, com filmes como A Gente e Pátio, e da recente série fenômeno da Globoplay O Caso Evandro, Muritiba explica que essa experiência foi fundamental para Deserto Particular. “O modo como abordo os espaços e os corpos nos espaços vem do documentário de observação. Aqui, essa experiência foi determinante para o mise-en-scène, mas não só. O compromisso ético com o tema e os objetos (personagens) que tenho quando faço documentários está todo o tempo em pauta nas minhas ficções.”
 
Deserto Particular  será lançado no Brasil pela Pandora.

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