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Cinemateca Portuguesa fará ciclo regular de cinema brasileiro em apoio à Cinemateca Brasileira

Publicado em 21/08/21 às 12h06

 
A partir de setembro, a Cinemateca Portuguesa inicia uma programação especial de cinema brasileiro, em solidariedade à Cinemateca Brasileira e que só terminará quando os trabalhadores desta "puderem de novo regressar ao lugar e à missão que lhes compete", segundo a informação divulgada no site da entidade lusitana. "O tempo está a esgotar-se para evitar uma catástrofe ainda maior", escreve a direção da Cinemateca Portuguesa.
 
O ciclo, que terá uma periodicidade quinzenal, abrirá em 6 de setembro com o filme O dragão da maldade contra o santo guerreiro (1969), primeira longa-metragem em cores do cineasta Glauber Rocha.
 
No texto publicado sem seu site, a Cinemateca Portuguesa recorda que a congénere brasileira "viu-se subitamente posta em causa por um inusitado e intrincado processo político-administrativo", ficando desprovida de qualquer apoio do governo federal brasileiro, sendo por isso obrigada, há um ano, a paralisar suas atividades, tendo em vista "a interdição formal de entrada de todos os técnicos nas instalações" em sua sede, em São Paulo.
 
Incêndios
 
O mais recente episódio da crise da Cinemateca Brasileira aconteceu em julho, quando um incêndio atingiu um de seus galpões, na Vila Leopoldina, em São Paulo, que abriga o maior arquivo cinematográfico da América do Sul. Entre os materiais ali armazenados, havia toneladas de documentos sobre a história do cinema do Brasil, as políticas públicas do setor e parte do acervo de Glauber Rocha. Outro incêndio, em 2016, já havia consumido cerca de 500 filmes, sem contar uma inundação que, em 2020, atingiu o galpão da Vila Leopoldina. 
 
Já no início de agosto, a Cinemateca Portuguesa uniu sua voz ao movimento internacional de solidariedade para com a Cinemateca Brasileira, colocando-se ao lado de seus funcionários e lamentando a "inédita e gravíssima situação de exceção imposta pelo Governo brasileiro", que a impede de "funcionar e de cumprir as mais elementares funções de salvaguarda que lhe estão consignadas".

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