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Cantora Liniker estreia como protagonista em série sobre mulher transexual

Publicado em 22/06/21 às 15h31

 
 
Estreando como protagonista de uma série em Manhãs de Setembro, a cantora Liniker define sua personagem, Cassandra, como “uma figura humanizada”, em oposição a outras personagens transexuais de obras de audiovisual que são sempre “encaixotadas e colocadas à margem”. “O que mais me emocionou foi poder criar alguém com relações humanas e sociais. Ela é uma personagem que tem uma rede de afeto, tem uma casa e, para uma travesti, isso significa muito. Ela é humanizada e complexa.” A série estreia na próxima sexta (25), no Prime Video.
 
A atriz e cantora também destaca como a série dá protagonismo a uma mulher transexual e negra, fugindo de estereótipos. “Fico feliz, e espero que seja a primeira narrativa de muitas desse sentido, com séries nas quais essas personagens possam ser humanizadas e dignificadas enquanto humanas. A responsabilidade disso é de quem está à frente do audiovisual, porque nossa necessidade diária é tentar sobreviver.”
 
Uma das roteirista da série, Alice Marcone, diz que “enquanto uma pessoa trans e preta assistindo a esse conteúdo, aprendo que é possível ser quem eu sou. Acho que a gente tem uma saúde mental muito complicada, especialmente nos dias de hoje, e ter uma representatividade tão humanizada, pautada pelo afeto, família, tudo isso gera esperança. Um sentimento que a gente precisa muito como sociedade atualmente.”
 
Cassandra é uma motogirl que sonha em ser cantora. Sua vida está mais ou menos encaminhada, tem um namorado (Thomás Aquino), acaba de alugar um apartamento, e uma surpresa lhe acontece. Leide (Karine Telles), uma mulher que conheceu anos atrás, aparece em sua porta com um garoto, Gersinho (Gustavo Coelho), dizendo que é filho da protagonista, quando as duas passaram uma noite juntas.
 
Karine Telles conta que, antes de começar as filmagens, a preparação foi bastante importante. “Eu já era admiradora da Liniker. Mas, quando entrei no projeto, a personagem ainda não havia sido escalada, e, para mim, era importante quem faria a Cassandra. Fiquei muito feliz com a escolha e trabalhamos muito na preparação, que nos ajudou a desenvolver a relação entre as personagens.”
 
Josefina Trotta, criadora da série, explica que para conceber Cassandra, o grupo de roteiristas tentou colocar-se no lugar dela. “Precisávamos saber seus medos diante da nova responsabilidade de um filho que aparece em sua porta.” E Alice Marcone ressalta a importância de dar visibilidade a uma personagem transexual para além dos estereótipos. “A vida de uma pessoa trans não termina quando acaba a transição. Há também os afetos, não apenas o lado burocrático. Pensamos em tudo isso para construir Cassandra.” Liniker explica que ter a Alice no roteiro a deixou muito segura. “No set também havia muitas profissionais transexuais, o que me deu conforto, em saber que não sou a única. O processo se tornou muito mais potente.”
 
A cantora afirma que a personagem é bastante parecida com ela. “O que tem de Liniker na Cassandra é que ela não tem medo de tentar. Desde quando comecei minha trajetória em Araraquara e vim para São Paulo sem família, sem ninguém, transicionando sozinha. Eu me vi na personagem. E uma coisa que ela certamente trouxe para mim foi coragem, inclusive sobre coisas pequenas, como demarcar meu espaço. Às vezes, é muito fácil a gente se dar por tudo aquilo que a sociedade obriga a gente a fazer, e a gente acaba perdendo o desejo. E a Cassandra me ajudou a desejar como há muito tempo eu não desejava nada.”

Alysson Oliveira


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