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Atores de “O Auto da Boa Mentira” definem sua relação com Ariano Suassuna, inspiração para o filme

Publicado em 27/04/21 às 16h35

Com estreia marcada para esta quinta (29), O Auto da Boa Mentira é uma comédia de quatro episódios inspurados em falas do escritor paraibano que se radicou em Recife Ariano Suassuna, morto em 2018. As imagens dele, que aparecem no filme, são de palestras e entrevistas que concedeu ao longo dos anos. Dessas histórias que conta, parte o mote de cada um dos episódios que compõem o longa dirigido por José Eduardo Belmonte, que define o escritor como “um contador de causos”. O roteiro é assinado por João Falcão, Tatiana Maciel e Célio Porto.
 
“O filme vem num momento certo, em que o mundo não discerne entre verdade e fake news. O Ariano defendia a mentira boa”, defende Leandro Hassum, que protagoniza a primeira parte do longa, Fama, como um profissional de RH que é confundido com um comediante famoso e tira vantagem disso. Ele define o episódio como algo sobre “até onde a mentira é engraçada e até onde é um risco e pode virar sua cabeça.”
 
Ator de outro episódio, Jackson Antunes conta que conheceu Suassuna pessoalmente quando interpretou Jesus numa peça do escritor, A farsa da boa preguiça. “O seu Ariano era a própria poesia, a própria ternura. O filme é muito propício para o nosso momento. As mentiras podem mudar o curso da humanidade. A boa mentira é saudável e muda o mundo.” No longa, o ator faz um palhaço, e conta que o circo é muito importante em sua vida. “Eu admiro muito as pessoas do circo. O palhaço Romeu me deu um respiro de vida. Eu tinha acabado de sair de cirurgias difíceis e os médicos me davam 5% de chance para sobreviver. E hoje estou aqui”.
 
Renato Goes, que está no mesmo episódio que Antunes, declara-se fã da adaptação cinematográfica de O Auto da Compadecida, de 2000. “Foi o filme que me fez vontade de ser ator.” Recifense, para ele Suassuna era um “cronista do Nordeste”. “Ele mostra como é a realidade de uma forma caricata, engraçada e leve. Em O Auto da Boa Mentira, a gente procura outros Nordestes que não são o do chão rachado. É complicado para mim quando se fala da imagem do Nordeste. Temos uma cultura muito rica e diversificada.”
 
Por sua vez, Luiz Miranda, que interpreta o dono de uma agência publicitária no último segmento, fala que “Ariano abre uma janela para ver o Nordeste, mas não só o Nordeste. O Nordeste dele tem muita gente.”

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