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Festival É Tudo Verdade divulga seleção de sua 26ª edição

Publicado em 23/03/21 às 12h29

Pelo segundo ano, por conta da pandemia, o 26o  Festival É Tudo Verdade acontecerá por streaming, mantendo a gratuidade habitual. Porém, ao contrário do ano passado, quando o evento aconteceu em duas etapas, em 2021 terá uma edição única, entre 8 e 18 de abril. Numa coletiva virtual na manhã dessa terça (23/3), Amir Labaki, diretor do evento, anunciou as produções nacionais e estrangeiras que fazem parte da seleção. A arte do festival esse ano, imagem ao lado, é uma foto de 1964, de Maureen Bisilliat, e retrata uma festa de Iemanjá na cidade de Santos (SP).
 
A competição nacional conta com 16 filmes, que são os longas: Alvorada, de Anna Muylaert, Lô Politi; Os arrependidos, de Armando Antenore, Ricardo Calil; Dois tempos, Pablo Francischelli; Edna, de Eryk Rocha; Máquina do Desejo - Os 60 Anos do Teatro Oficina, de Lucas Weglinski, Joaquim Castro; Paulo César Pinheiro - Letra e Alma, de Cleisson Vidal, Andrea Prates; e Zimba, de Joel Pizzini. E os curtas: Cartas de Brasília, de Larissa Leite; Coleção Preciosa, de Rayssa Fernandes Coelho, Filipe Gama; João por Inez, de Bebeto Abrantes; O Karaokê de Isadora, de Thiago B. Mendonça; Review, de Tyrell Spencer; Sem Título #7 Rara, de Carlos Adriano; Ser Feliz no Vão, de Lucas H. Rossi dos Santos; A Vida que eu Sonhava Ter, de Eliane Scardovelli Pereira; e Yãokwa: Imagem e Memória, de Vincent Carelli e Rita Carelli.
 
A competição internacional reúne 21 produções de países dos 5 continentes. Os longas e médias são: 9 Dias em Raqqa (9 Jours A Raqqa/ 9 Days in Raqqa), de Xavier de Lauzanne; Eu e o Líder da Seita (Aganai/ Me and the Cult Leader - A Modern Report   on the Banality of Evil), de Atsushi Sakahara; Glória à Rainha (Glory to the Queen), de Tatia Skhirtladze; Gorbachev.Céu (Gorbachev.Heaven), de Vitaly Mansky; História de um Olhar (Histoire d'un Regard/ Looking for Gilles Caron), de Mariana Otero; Leonie, Atriz e Espiã (Leonie, Actrice en Spionne/ Leonie, Actress and Spy), de Annette Apon; Mil Cortes (A Thousand Cuts), de Ramona S. Diaz; MLK/FBI (MLK/FBI), de Sam Pollard; Paraíso (Paradise), de Sérgio Tréfaut; Presidente (President), de Camilla Nielsson; Sob Total Controle (Totally Under Control), de Alex Gibney, Ophelia Harutyunyan, Suzanne Hillinger, e Vicenta (Vicenta), de Dario Doria.
 
Os curtas da competição internacional são: Uma Cidade e uma Mulher (Une Ville Et Une Femme/A City and a Woman), de Nicolas Khoury; E14 (E14), de Peiman Zekavat; A Montanha Lembra? (Puede Una Montaña Recordar/ Can a mountain recall?), de Delfina Carlota Vazquez; Um Pai que Você Nunca Teve (Dad You've Never Had), de Dominika Lapka; Num Piscar de Olhos (In the Blink of an Eye/ In Ictu Oculi), de Jorge Moneo Quintana; Projetando a Utopia (Tracing Utopia), de Catarina de Sousa & Nick Tyson; Quando o Mar Manda uma Floresta  (When the Sea Sends Forth a Forest), de Guangli Liu; Sequência de Lacunas sem Nome (Untitled Sequence of Gaps), de Vika Kirchenbaue; e Terapia Deepfake (DeepfakeTherapy), de Roshan Nejal.
 
Labaki ressaltou que, mesmo com as dificuldades geradas pela pandemia no ano passado, não houve uma queda significativa na produção de longas, tanto que o número de inscritos para essa edição foi bem próximo ao de 2020. “Apesar da crise, a produção de documentários no Brasil e no mundo ainda é bastante boa”.
 
Além dos filmes em competição, o Festival também conta com o Foco Latino, O Estado das Coisas e Sessões Especiais, que juntos exibirão 13 produções com temas distintos como o músico Frank Zappa, o professor brasileiro Paul Singer, a fundação da revista Newsweek, o golpe militar brasileiro e um grupo de projecionistas peruanos que se preparam para exibir um filme sobre eles mesmos.
 
Labaki conta que a segunda etapa do É Tudo Verdade de 2020, que aconteceu entre setembro e outubro de 2020, teve mais de 80 mi acessos, e que, com isso, o streaming se tornou uma realidade para os festivais. “Mesmo quando os cinemas voltarem a funcionar, não tem como deixar de ser um formato híbrido, como nós já vínhamos fazendo.”
 
Abertura, encerramento e homenagens
 
O Festival começa no dia 8 de abril com a exibição de Fuga, de Jonas Poher Rasmussen, premiado em Sundance no começo deste ano. O longa é uma animação que acompanha a trajetória de um imigrante afegão rumo à Europa. “O formato de animação garante a segurança do protagonista e deu mais liberdade ao diretor. É também uma prova de que o gênero documental, como a ficção, comporta técnicas diversas”, pondera Labaki.
 
A sessão de encerramento, em 18 de abril, quando também serão anunciados os vencedores, será com o brasileiro A Última Floresta, de Luis Bolognesi, recém-exibido no Festival de Berlim. O filme acompanha o xamã Davi Kopenawa Yanomami, de uma das aldeias Yanomami da Amazônia, que tenta manter vivos os espíritos da floresta e as tradições, enquanto a chegada de garimpeiros traz morte e doenças para a comunidade. “Esse documentário chama a atenção para uma tragédia que está acontecendo com esses povos que são os primeiros brasileiros”, frisa o diretor do festival.
 
O cineasta francês Chris Marker, cujo centenário de nascimento se completa no próximo mês de julho, será homenageado com uma retrospectiva com suas principais obras, além de ser tema da 18a Conferência Internacional do Documentário, que ocorre nos dias 07 e 08 de abril, na Plataforma do Itaú Cultural.
 
Outro homenageado desta edição é o artista moçambicano radicado no Brasil Ruy Guerra, prestes a completar 90 anos e cuja obra inclui documentários, ficções, peças de teatro, poesias e letras de música. Além de exibir dois filmes do diretor, Os Comprometidos - Actas de um processo de descolonização (1984) e Mueda: Memória e Massacre (Mueda: Memory and Massacre) (1979/80), o Festival contará com o longa O Homem que Matou John Wayne (2017), de Bruno Laet e Diogo Oliveira, sobe o próprio cineasta e sua obra, além de uma master class, ministrada por Guerra, que acontecerá na plataforma SESC 24 de maio.
 
O terceiro homenageado do Festival é o músico Caetano Veloso, cuja vida e obra já foram temas de diversos documentários. O É Tudo Verdade exibirá nove filmes, entre eles o recente Narciso em Férias, de Ricardo Calil e Renato Terra.
 
Para mais informações sobre os filmes, e as plataformas nas quais cada mostra será exibida, acesse: http://etudoverdade.com.br/br/home/

Alysson Oliveira


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