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Alexander Nanau, do premiado filme "Colectiv", recusa homenagem na Romênia

Publicado em 13/01/21 às 11h55

Diretor internacionalmente conhecido e premiado, o romeno Alexander Nanau – cujo filme, Colectiv, venceu como melhor documentário da competição internacional do Festival É Tudo Verdade 2020  – recusou uma medalha de Mérito Cultural, oferecida pelo presidente de seu país, Klaus Johannis, que seria entregue em 15 de janeiro, Dia da Cultura Nacional na Romênia.  O motivo foi um protesto pela falta de apoio governamental à indústria cinematográfica durante a pandemia da Covid-19.
 
Em nota divulgada em seu Facebook, que circulou amplamente na mídia, Nanau afirmou que.  “seria uma hipocrisia aceitar esta homenagem uma vez que o cinema e suas estruturas institucionais estão paralisadas. Desde março de 2020 até agora, as autoridades não só se recusaram a abordar este assunto como ainda mais o agravaram por sua falta de iniciativa.”
 
Profissional reconhecido, Nanau teve seu documentário Colectiv escolhido como melhor documentário europeu pela Academia Europeia de Cinema em 2020. O filme aborda a corrupção dentro do sistema de saúde romeno, desmascarada por jornalistas locais a partir de um incêndio numa boate, em 2015, que matou 25 pessoas e feriu outras 180. O diretor também recebeu um Emmy em 2010, pelo filme The World According to Ion B.
 
Crise romena
 
Tal como muitos outros países do mundo, a Romênia foi duramente afetada pela pandemia, que provocou o fechamento de cinemas e a interrupção da produção ao longo da maior parte do ano passado. O fechamento das salas e a drástica redução da publicidade televisiva provocou, por sua vez, uma forte queda do dinheiro disponível para o Fundo Nacional de Cinema e, como resultado, não foram distribuídas verbas para a produção em 2020.
 
Embora oficialmente relançado ainda em 2020, quando foi colocado sob o controle do ministério da economia, o fundo não funcionou até o final do ano. Apesar das pressões dos profissionais da área junto ao ministério da cultura e ao governo, a única compensação obtida foi o recebimento de 75% dos salários para aqueles que se sustentavam exclusivamente de direitos autorais, bem como profissionais liberais, indivíduos e negócios familiares e pessoas remuneradas por serviços contratados.
 
Em novembro, o ministério da cultura anunciou a distribuição de 100 milhões de euros para o setor cultural, incluindo o cinema., mas a verba só foi disponibilizada para companhias, não para artistas independentes ou freelance, que constituem boa parte dos profissionais da área.

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