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Brasil tem dois longas selecionados para mostras competitivas em Roterdã 2021

Publicado em 22/12/20 às 15h41

 
 Madalena, de Madiano Marchetti, participará da Tiger Competition, no Festival de Roterdã de 2021
 
Dois filmes brasileiros, Madalena, de Madiano Marchetti, e Carro-rei, de Renata Pinheiro,  foram selecionados para competições dentro do próximo Festival de Roterdã, o primeiro na Tiger Competition, o segundo, na Big Screen Competition. O festival holandês ocorrerá em duas etapas, e de forma híbrida, entre 1 e 7 de fevereiro e 2 a 6 de junho de 2021.
 
Filmado em Dourados (MS), Madalena tem como ponto de partida o encontro do corpo de Madalena numa plantação de soja. Na sequência, a trama acompanha a história de três jovens - Luziane (Natália Mazarim), Bianca (Pamella Yule) e Cristiano (Rafael de Bona), que vivem contextos diferentes em uma mesma cidade. Embora não se conheçam, o espírito de Madalena, que paira sobre a cidade, torna-se um elo entre os três. O longa denuncia a violência constante do país que mais mata a população LGBTQIA+.   
 
“Estou extremamente feliz e honrado pela oportunidade de estrear meu primeiro longa-metragem em um festival da envergadura do Festival de Roterdã. Nós, cineastas brasileiros, enfrentamos muitas dificuldades para fazer com que nossos filmes cheguem às telas, sobretudo no momento atual, que é particularmente sombrio no que diz respeito ao setor da cultura. Por isso, sou muito grato por ter a chance de levar mais um filme brasileiro para uma janela internacional de cinema tão prestigiada. Um filme do Centro-Oeste brasileiro, que procura levantar discussões que considero importantes e urgentes, como meio ambiente e direitos humanos”, afirma o diretor mato-grossense Madiano Marcheti. 
 
Ambientado em Caruaru (PE), Carro-rei tem como protagonista Uno (Luciano Pedro Jr), que ganha esse nome em homenagem ao primeiro carro adquirido por seus pais, no qual ele nasceu a caminho da maternidade. Desde criança, Uno fala com esse mesmo carro e o considera como seu melhor amigo. Um acidente trágico separa os dois: Uno se torna um jovem ativista ambiental, enquanto o carro é despachado para o ferro-velho do seu tio, Zé Macaco (Matheus Nachtergaele), um mecânico com ideias mirabolantes.  
 
A diretora Renata Pinheiro, que assina o roteiro com Sergio Oliveira e Leo Pyrata, define o longa como “um filme sobre luta de classes. O projeto surge da observação das cidades brasileiras e da constatação de um exagerado apego da população aos automóveis. Os carros particulares ocupam as ruas, as mentes e os planos dos governantes: são mais que veículos, são tratados com mais regalias que os transeuntes. Essa importância desproporcional dos automóveis na sociedade brasileira pode ser fruto de uma falsa crença de que o carro é um símbolo de ascensão social e prosperidade. Carro-rei é o resultado de uma investigação artística que busca construir uma relação interpessoal entre personagens inusitados, objetos inanimados e humanos, em ambientes que revelam essa complexidade. Nos meus filmes, tento construir uma narrativa considerando que linguagem visual é tão importante quanto o diálogo. E, neste contexto, os objetos também tem grande significância e são personagens vivos.”

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