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Brasil crava um curta e um longa na competição internacional de Sundance 2021

Publicado em 15/12/20 às 19h34

 
"Inabitável", de Matheus Farias e Enock Carvalho. Foto: Gustavo Pessoa/Divulgação
 
O longa A Nuvem Rosa, de Iuli Gerbase, e o premiado curta Inabitável, de Matheus Farias e Enock Carvalho são os dois representantes brasileiros nas respectivas competições internacionais do próximo Festival de Sundance, que se desenrola entre 28 de janeiro e 3 de fevereiro, num formato inédito: será híbrido, com sessões presenciais realizadas no Ray Theatre local, em Utah, e também em diversas telas e drive-ins espalhados por 24 estados dos EUA, além de programação online. 
 
Longa de estreia da diretora gaúcha Iuli Gerbase, A Nuvem Rosa desenvolve um clima fantástico a partir da aparição de uma misteriosa nuvem tóxica, confinando num apartamento um homem e uma mulher (Eduardo Mendonça e Renata de Lélis), que haviam acabado de se conhecer numa festa. Vivendo como um casal, os dois têm sentimentos distintos sobre a experiência comum do confinamento. 
 
Sobre o filme (foto ao lado), a diretora comentou: "O público vai poder se identificar muito com os conflitos emocionais dos personagens, porém sabendo que sairemos dessa situação em um futuro próximo. Além disso, como nunca foi a intenção de que a nuvem representasse um vírus, acreditamos que o filme vai além da pandemia e traz reflexões que continuarão a ser pertinentes por muitos anos, como a repressão às mulheres e o desejo de liberdade". Com distribuição da O2 Play, o longa-metragem, produzido pela Prana Filmes, tem previsão de estreia em 2021.
 
Exibido em 18 festivais no segundo semestre de 2020, incluindo o 48º Festival Gramado – onde conquistou os troféus de Melhor Filme pelo Júri da Crítica, Roteiro, Atriz e Prêmio Canal Brasil de Curtas, – Inabitável foi o curta-metragem brasileiro mais premiado do ano, com 10 prêmios. 
 
O curta pernambucano é protagonizado pela baiana Luciana Souza (Bacurau), que além de Gramado, foi premiada no Festival Mix Brasil.O filme narra a história de Marilene (Luciana), que procura por sua filha desaparecida depois de não retornar de uma festa. Por meio de uma narrativa fantástica, retrata-se de forma poética a violência rotineira do país que mais mata a população LGBTQIA+.  
 
"Estamos muito felizes com o fato de o filme estar na seleção oficial do Festival de Sundance porque isso significa que muitas pessoas descobrirão Inabitável a partir de agora. Isso gera uma nova onda de pensamentos em torno do filme, novos debates e críticas. Sundance é uma maravilhosa vitrine para o cinema mundial e o filme toca em questões sobre o Brasil que são muito importantes ", afirma Enock Carvalho, roteirista e diretor do filme. 
 
"A exibição do filme em festivais online permite que mais pessoas, inclusive as que não frequentam habitualmente os festivais de cinema, consigam assisti-lo. Desde a estreia em agosto, Inabitável tem participado de vários festivais brasileiros e internacionais e já soma 10 prêmios. Estamos muito felizes com essa trajetória e é muito importante pra gente que ele continue circulando, sendo assistido e discutido. Diante de tudo o que vem acontecendo no Brasil nos últimos tempos, é incrível perceber como ele reverbera de forma única através de cada exibição", completa Matheus, que além de roteirizar e dirigir o filme, também montou o curta ao longo de quatro meses.

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