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Mostra de SP anuncia as atrações de sua 44a edição

Publicado em 10/10/20 às 17h00

 
Renata Almeida fala das atrações deste ano na coletiva da Mostra Internacional
 
Com uma inédita concessão do Troféu Humanidade ao corpo de funcionários da Cinemateca Brasileira, uma seleção mais enxuta (198 filmes) e formato híbrido, com sessões online e presenciais em salas drive-in (Cinesesc e Belas Artes), a 44a, Mostra Internacional de São Paulo inicia, no próximo dia 22 de outubro, sua nova edição, uma das mais desafiadoras de sua história, em função da pandemia da covid-19 e do panorama econômico e político do País. A Mostra prossegue até 4 de novembro.
 
Nada que assuste a diretora da Mostra, Renata de Almeida, que mais uma vez conseguiu reunir parceiros para dar novos formatos àquele que é um dos festivais mais antigos do Brasil e que, neste ano, pela inserção de uma plataforma online (Mostra Play), poderá ter seus filmes acessados em todo o Brasil. O ingresso individual para os filmes custará R$ 6,00 e não haverá pacotes. Cada sessão terá um limite de 2000 views, à exceção do filme de abertura, o thriller político A Nova Ordem, de Michel Franco, vencedora do Leão de Prata no mais recente Festival de Veneza, que terá limite de 1000 views e ficará disponível na plataforma 24 horas.
 
Haverá também uma seleção de filmes gratuitos, exibidos na plataforma SpCine Play e Sesc Digital. 
 
Seleção refinada
Nada mudou também na qualidade da seleção dos filmes, que incluem selecionados e/premiados em festivais como Berlim, Cannes e Veneza e cerca de 30 títulos brasileiros inéditos no País. Mesmo entre os curtas, há assinaturas de peso, como Jafar Panahi (Escondido), Sergei Loznitza (Uma Noite na Ópera), Wai Wei Wei (Vivos) e Jia Zhang-ke (A Visita), este último o cineasta que, este ano, assina o cartaz da Mostra, uma das mais caras tradições do festival. Zhang-ke exibirá também seu mais recente longa, o documentário Nadando até o mar ficar azul, exibido em fevereiro em Berlim. De Wei Wei, será também exibido o longa Coronation, que retrata a eclosão da covid-19 em Wuhan. 
 
Da seleção de Cannes (festival cancelado este ano pela pandemia), estarão na Mostra filmes como o brasileiro Casa de Antiguidades, de João Paulo Miranda Maria, estrelado por Antônio Pitanga, e Mães de Verdade, novo drama intimista da japonesa Naomi Kawase. Também está confirmado o grande vencedor do Urso de Ouro em Berlim, Não há mal algum, do iraniano Mohammad Rasoulof, Dias, do malaio Tsai Ming-liang, assim como o brasileiro Cidade-Pássaro, de Matias Mariani, ambos selecionados para o festival alemão.
 
Outros títulos desde já atiçam a curiosidade dos cinéfilos, caso da produção portuguesa O Ano da Morte de Ricardo Reis, de João Botelho, em que o papel do protagonista desta primorosa adaptação do romance homônimo de José Saramago pertence ao brasileiro Chico Díaz. É o caso também de Mulher-Oceano, estreia na direção da atriz Djin Sganzerla, Araña, do chileno Andrés Wood (Machuca), Sportin’ Life, do bad boy Abel Ferrara, Crianças ao sol, do iraniano Majid Majidi (Filhos do Paraíso), Miss Marx, da italiana Susana Nicchiarelli (Nico, 1988) e Notturno, aguardado documentário de Gianfranco Rosi (Fogo no mar e Sacro GRA, vencedor do Festival de Veneza de 2013). 
 
Muito bem-vinda também é a homenagem ao cineasta baiano Fernando Coni Campos (1933-1988), nunca demais lembrado pelos impagáveis Ladrões de Cinema (1977) e O Mágico e o Delegado (1983). 
 
Mais informações sobre os filmes e várias atividades paralelas, como o Fórum e um curso de cinema com o cineasta Ruy Guerra e o historiador Adilson Mendes podem ser obtidas no site da Mostra.
 
Outras homenagens
Além da entrega do troféu Humanidade aos funcionários da Cinemateca Brasileira, que há meses travam uma batalha incansável para salvar seu precioso acervo do descaso governamental, este troféu será dividido com o veterano e premiado documentarista norte-americano Frederick Wiseman - que exibirá também seu recente trabalho, City Hall
 
Já o Prêmio Leon Cakoff ficará com a produtora Sara Silveira, também integrante do júri da Mostra, ao lado da montadora Cristina Amaral e do diretor de cinema e teatro Felipe Hirsch. 

Neusa Barbosa


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