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Crítica Cineweb

11/12/2003

Num futuro não muito distante, a água do planeta praticamente acabou. Mas ainda sobraram Sandy e Junior, estrelas deste filme dirigido pela competente Flávia Moraes, que estréia em longa-metragem de ficção depois uma carreira de 23 anos como diretora de comerciais premiados internacionalmente e também de alguns curtas-metragens.

Até por conta do respeitável currículo da diretora gaúcha, o requinte da produção é extraordinário: 40% do filme foi feito em estúdio, 80% teve algum tipo de intervenção digital e há pelo menos 30 seqüências em 3D. Estão na tela, portanto, os anunciados R$ 10 milhões do orçamento. Em alguns momentos, tanto apuro toca o exibicionismo - é o caso do uso da tela dividida, que passa como uma espécie de novorriquismo visual, que só incomoda porque não foi aplicada sofisticação na mesma medida ao roteiro.

Com certeza, não se trata de um mau filme, muito longe disso. E tem a grande qualidade de passar ao largo do merchandising escandaloso das produções estreladas por Xuxa. Mas é visível que a história (escrita pela própria Flávia e por Cláudio Galperin) ressentiu-se dos sete tratamentos de roteiro onde, com certeza, não faltaram interferências dos dois jovens e poderosos astros, bem como de seus atentos pais, o cantor Xororó e sua mulher, Noelly.

O resultado é que ficaram faltando conflitos que pudessem tornar a trama mais emocionante e menos plana. Depois de um prólogo onde se apresenta a destruição de uma família feliz, formada pelo casal Bartók (Alexandre Borges), Nara (Julia Lemmertz) e seus dois pequenos filhos, a história salta para o futuro, onde vivem os rapazes Gaspar (Emílio Orciollo Netto), Kim (Junior), o menino Guili (Igor Rudolf) e o impagável cachorrinho Mingus (Wind). A trupe vive engajada na busca incessante de água, uma raridade total num planeta desértico, onde tudo o que se enxerga é areia e pores-do-sol incríveis. As belas paisagens mostradas aqui, aliás, foram filmadas no deserto de Atacama (Chile), depois reproduzido com perfeição em estúdio, mediante a mistura de mais de mil metros cúbicos de areias de várias cores para reproduzir a da localidade original.

Neste ambiente árido e masculino, um dia desembarca a jovem Sarah (Sandy), uma viajante que não consegue muito bem explicar os motivos de seu deslocamento. Kim e Guili encantam-se pela moça, que sabe usar com maestria um bumerangue capaz de ajudar na caça ao alimento do dia-a-dia. Uma agenda secreta move os passos de Sarah, bem como um discreto segredo envolvendo as relações destes jovens com o casal morto no primeiro segmento.

Nada de muito dramático acontece neste filme cujo intuito - saudável - é apenas o de divertir, arriscando-se na seara futurista, um campo pouquíssimo explorado no cinema brasileiro. Se qualidades não faltam, bem como carisma aos dois protagonistas, é de se torcer que numa próxima investida no cinema, se deixe voar um pouco mais alto a imaginação.

Neusa Barbosa


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