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Crítica Cineweb

29/10/2003

O diretor e roteirista canadense Atom Egoyan cria aqui uma história ficcional em torno do massacre de 1 milhão de armênios pelos turcos, em 1915. Em que pese a importância do assunto, sempre muito carregado de controvérsia, visto que os turcos sempre negaram este episódio e os armênios sempre protestaram contra a omissão mundial em torno dele (o que teria alegadamente encorajado Hitler em seu ataque aos judeus), Egoyan não parece tão à vontade no comando desta história, em que entram suas raízes pessoais, já que nasceu no Cairo, filho de pais armênios.

 

Embora mestre no domínio de vários focos narrativos, Egoyan perde sua mão segura aqui. Num desses focos, acompanha-se o trabalho de um cineasta de origem armênia, Edward Saroyan (Charles Aznavour, que tem realmente raízes nesse povo), na preparação de um filme histórico sobre os fatos de 1915. Paralelamente, mostra-se a vida de várias pessoas relacionadas direta ou indiretamente ao filme. Como a historiadora Ani (Arsinée Khanjian), cujos livros servem de base para o roteiro. Duas vezes viúva, Ani tem um filho, Raffi (David Alpay) e uma enteada, Celia (Marie-Josée Croze, de As Invasões Bárbaras). Uma família extremamente complicada, já que Celia acusa a madrasta do suicídio de seu pai, e envolve-se amorosamente com o filho de Ani, contra a vontade dela. Um outro foco narrativo procura recriar os fatos de 1915.

 

Talvez até a grande proximidade de Egoyan com esse tema tenha afetado a sua perspectiva. Por essa ou por outra razão, não conseguiu atingir o mesmo resultado de seus outros filmes. O filme é correto, mas acadêmico, bem distante do estilo audaz do cineasta que já realizou obras do quilate de O Doce Amanhã e O Fio da Inocência.

Neusa Barbosa


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