Violação de Conduta

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Crítica Cineweb

09/10/2003

A chave por trás deste novo filme de John McTiernan (da cinessérie Duro de Matar) é o jogo de aparências. Pena que a mudança de expectativas que move a narrativa acabe por contaminar também o filme - afinal de contas, tudo o que ele parece, não é.

Talvez Violação de Conduta acabe por ficar conhecido apenas por ter reunido na tela novamente a dupla que alimentou a mágica de Pulp Fiction (94) - John Travolta e Samuel L. Jackson, que veio ao Rio de Janeiro em outubro de 2003 especialmente para o lançamento de seu novo trabalho. Mas até esta reunião que é um dos poucos méritos do filme não passa de propaganda quase enganosa. Jackson e Travolta não contracenam juntos tempo suficiente aqui para reativar a química que incendiou Pulp Fiction. Os dois têm duas cenas brevíssimas e quase imperceptíveis juntos.

Travolta, aliás, entra em ação justamente para descobrir o que há por trás do desaparecimento do sargento Nathan West (Jackson), que é uma das mais malvadas encarnações do poder fardado que entrou numa tela de cinema. Ruim de dar medo, o sargento inferniza sem tréguas a vida de todos os seus subordinados, o que o torna odiado pelos recrutas. Não admira que ele desapareça numa missão de treinamento, perto de uma base no Panamá, no mesmo dia em que a região é varrida por um poderoso furacão. No final só voltam à base dois soldados, Dunbar (Brian Van Holt) e Kendall (Giovanni Ribisi), este último gravemente ferido. Todos os outros são dados como mortos mas não se sabe exatamente o que aconteceu na mata durante este treinamento, convocado sob as condições climáticas mais adversas, de pura crueldade, pelo tinhoso sargento.

A investigação militar é comandada pelo coronel Bill Styles (Timothy Daly), que chama para ajudar um ex-militar, agora convertido em agente especial de controle de entorpecentes, Tom Hardy (Tavolta). O coronel não confia na capacidade da tenente que conduz os interrogatórios, a durona Julia Osborne (Connie Nielsen), e acha que pode vir a calhar a habilidade de Hardy, que aliás conhece muito bem o sargento desaparecido pois também sofreu o diabo em suas mãos.

A partir daí o filme funciona todo no piloto automático que Hollywood não cansa de acionar na linha de montagem de seus produtos básicos, liberando a seqüência de clichês do gênero ação: rivalidade entre os dois líderes da investigação, liberação de alguma tensão sexual entre eles, tudo isso intercalado por uma série de reviravoltas de expectativas em relação aos personagens principais, preparando o terreno para um final que se pretende surpreendente. Se é isso mesmo ou absurdo, cabe ao público decidir no que acredita.

Uma outra participação a mencionar no elenco é do músico e cantor Harry Connick Jr., no papel de um médico. Melhor ele faria se continuasse tocando seu piano. O jazz agradeceria.

Neusa Barbosa


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