Conto da Primavera

Conto da Primavera

Ficha técnica


País


Sinopse

Professora de Filosofia, Jeanne empresta seu apartamento para uma prima, que veio fazer um concurso em Paris. Ao invés de ficar no apartamento de seu namorado, Mathieu, que viajou, ela se hospeda na casa de Natacha, uma jovem que acabou de conhecer numa festa. Elas se tornam amigas e vivem algumas confusões.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

24/09/2003

Este que é o primeiro dos Contos das Quatro Estações do diretor francês Éric Rohmer, ironicamente, acabou chegando por último às telas brasileiras, onde a tetralogia fez há alguns anos um delicado mas sólido sucesso. Talvez por ser o filme inaugural da série, nota-se, aqui, uma realização ligeiramente inferior à dos outros capítulos - Conto de Inverno (1992), Conto de Verão (1996), e Conto de Outono (1998). Mas nem por isso é desprovido de interesse e da marca pessoal do veterano Éric Rohmer.

 

São três mulheres e um único homem envolvidos numa pequena teia. Uma delas é a professora de filosofia Jeanne (Anne Teyssèdre), às voltas com uma série de contratempos. Emprestou seu apartamento parisiense a uma prima (Sophie Robin), que adia sua partida por motivos profissionais e amorosos. Jeanne tem a chave do apartamento do próprio namorado, que está viajando, mas detesta ficar lá sozinha, ainda mais no meio da bagunça que é tão familiar ao dono da casa, mas que ela detesta.

 

Numa festa, a professora conhece a jovem Natacha (Florence Darel) e as duas fazem amizade. Natacha convida-a a hospedar-se no próprio apartamento, na ausência do pai, Igor (Hughes Quester), um funcionário público em viagem. Apesar da diferença de idades e sentimentos, Jeanne e Natacha espelham-se uma na outra e encontram conforto em longas conversas, quase sempre sobre suas diferenças com os respectivos homens de suas vidas, o noivo de Jeanne e o pai de Natacha - de quem a moça tem um ciúme enorme, diante de seu namoro com uma jovem quase da idade dela, Eve (Eloise Bennet).

 

As três mulheres e Igor terminarão por encontrar-se na bucólica propriedade rural dele, em Fontainebleau - cujo jardim florido lembra a razão do nome do filme. Mas também não será equivocado pensar nas variações súbitas de temperatura da estação das flores, simbolizadas pelas violentas emoções, como raiva e ciúme que, de quando em quando, rompem a serenidade da história.

 

Como é comum nos filmes de Rohmer, há longas conversas encharcadas de filosofia - aqui fala-se de Platão e da Crítica da Razão Pura, de Kant, tudo isso numa simples mesa de jantar. Na trilha, estão presentes Beethoven e Schumann. Rohmer é um aristocrata do conteúdo, sem o ser tanto na forma. Prefere os atores não-profissionais, deixando o ritmo de suas histórias fluir com a naturalidade da vida real. É essa mistura original, provavelmente, o que encanta seus fãs.

Neusa Barbosa


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