Acontece nas Melhores Famílias

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Crítica Cineweb

27/08/2003

O escritor americano Peter de Vries, mais conhecido no Brasil por suas frases pouco otimistas do que por suas obras, chegou a dizer certa vez: "Quando não suporto mais pensar nas vítimas dos lares desfeitos, começo a pensar nas vítimas dos lares intactos". Seja qual for a origem desta constatação, não deve ser muito diferente da fonte que deu origem ao roteiro de Acontece nas Melhores Famílias. A desestruturação de um núcleo familiar que está prestes a romper, mas que se mantém coeso, apesar do sofrimento individual e da gradual distância emocional entre os personagens que o compõem.

No entanto, engana-se quem pensa que a produção é mais um drama padrão, criado exclusivamente para o público se emocionar. O que faz funcionar esta história e a torna uma comédia dramática (ou seria drama humorado?) é a fulgurante presença da família Douglas. E ninguém duvida de que esse clã (especialmente seu patriarca Kirk e o filho Michael), é um dos mais importantes ícones do cinema americano. Fato não subestimado pelos produtores do filme, entre os quais se encontra o próprio Michael.

Aqui, tanto Kirk, quanto seu filho, seu neto, Cameron, e até sua ex-mulher, Diana, trabalham juntos, dando a particularidade de que a produção precisava para engrenar. O que pretende ser cômico é engraçado, o melancólico realmente entristece e o que se propõe a ser emotivo, emociona, graças exclusivamente ao elenco. Qualidades que não o tornam um filme excepcional, mas que o nivelam em um patamar acima da média, mostrando-se ajustado e bastante coerente.

Trata-se da história dos Gromberg (ou seja, os Douglas), uma rica família da New York à beira do colapso. O avô (Kirk) não reconhece os méritos de seu filho (Michael), que por sua vez não sabe lidar com os problemas dos próprios filhos (Cameron e Rory Culkin), cada vez mais distantes. Enquanto isso, a parte feminina da família cria novos atritos, muitos deles motivados pelo conflito criado entre os homens da casa. Tudo isso - posto em um caldeirão de infidelidades, drogas, orgulhos, ressentimentos, falta de perspectivas, puberdade e morte - recheia a história com as mais desconcertantes e também engraçadas situações.

O saldo final, contudo, fica comprometido justamente pelo excesso de elementos que compõem a trama. Ao retratar o cotidiano de cada personagem do núcleo familiar, o diretor Fred Schepisi (O Último Adeus) cria uma série de nós que, em pouco mais de uma hora e meia, não consegue desatar. O espectador fica, portanto, com apenas um pedaço da história. Um pequeno fragmento dos acontecimentos, que restam sem muita explicação. Talvez a idéia do diretor seja mesmo a reflexão pessoal e, assim, fazer com que todos percebam o óbvio: isso pode acontecer em qualquer família, principalmente a sua.

Rodrigo Zavala


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