U-571 - A Batalha do Atlântico

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Crítica Cineweb

07/08/2003

Entre 1941 e 1942, parecia difícil acreditar que os Aliados ganhariam a II Guerra. Naquele momento, a balança pendia formidavelmente para o lado alemão. Cada dia mais ousados, os nazistas avançavam em direção aos EUA, afundando seus navios em plena costa oeste. Os ataques obedeciam a um cronograma invisível, protegido por um aparelho que, à primeira vista, parecia tão inofensivo quanto uma máquina de escrever. As pesadas baixas impostas aos Aliados provavam que não havia, no arsenal alemão, nada mais mortal do que a Enigma, decodificador que permitia a troca constante de mensagens secretas.

U-571 - A Batalha do Atlântico reconstitui a captura da primeira dessas máquinas que, como se pode avaliar 58 anos depois, foi um dos episódios cruciais para a virada do rumo da guerra. Quem se interessou pelo tema foi o diretor Jonathan Mostow, autor da história e co-autor do roteiro, que parte de três episódios reais da II Guerra, entre 1941 e 1944, recriando-os livremente, segundo as leis do entretenimento de massa.

Historiadores ingleses reclamaram da visão de Mostow. Afinal, seu filme muda radicalmente um aspecto fundamental: a autoria da primeira captura de uma Enigma, uma façanha da Marinha Real Britânica, em maio de 1941. No filme, os heróis são todos americanos, começando pelo líder, o tenente Tyler (Matthew McConaughey). Reativando sua carreira depois de filmes que passaram despercebidos como o bom Ed TV (lançado diretamente em vídeo no Brasil), ele transpira dignidade para comandar uma força-tarefa encarregada da missão suicida de abordar um submarino alemão e sair de lá com seus homens intactos e a máquina de códigos debaixo do braço.

Mostow certamente não se preocupou em dar uma aula de história. Em primeiro lugar, buscou criar um clima de aventura verossímil para a platéia, recriando a atmosfera claustrofóbica a bordo de um submarino militar - ganhando como reforço dramático inesperado a recente tragédia com o submarino russo Kursk, que certamente voltará à memória de boa parte do público. Depois, aumenta progressivamente a adrenalina, a partir da missão do submarino americano S-33, uma sucata que tenta o milagre de interceptar um submarino alemão, parado no meio do mar com avarias técnicas, fazendo-se passar por uma nave de socorro alemã.

Quando o desafio parece cumprido, o bombardeio do S-33 por um torpedo obriga os sobreviventes americanos a refugiar-se no submarino inimigo danificado, levando a bordo a preciosa Enigma. Cercados por equipamentos que nunca operaram, com instruções em alemão, marinheiros e oficiais ficam mais perdidos do que diante de mensagens secretas. Outra vez, o diretor Mostow exerce sua competência em manter a tensão, como fez há dois anos em Breakdown - Perseguição Implacável, onde acompanhava a jornada infernal de um marido (Kurt Russell) que tentava resgatar a mulher (Kathleen Quinlan) de um seqüestro, perdido na paisagem desértica do sudoeste americano.

Mostow manipula bem este tipo de material. Faz uma aventura convincente, jogando o espectador no centro dos acontecimentos com um requintado trabalho de cenografia, iluminação e efeitos especiais. Sabe imaginar seqüências de impacto visual, como aquela em que a tripulação espera com a respiração suspensa, para passar despercebida pelos sonares inimigos, a queda de inúmeras bombas alemãs, num submarino mergulhado em grande profundidade, que o coloca em risco de afundar a qualquer momento. Além disso, a história beneficia-se da inclusão constante de novos incidentes, mantendo o clima acelerado até o final.

Como acontece com freqüência em roteiros manipulados por tantas mãos (além de Mostow, participaram Sam Montgomery e David Ayer), coisa comum na linha de montagem de Hollywood, é de se esperar que algumas partes saiam do prumo. É inteiramente desnecessária, por exemplo, a cena em que um comandante alemão ordena aos seus homens a execução sumária de um grupo de náufragos, uma atrocidade que nada serve à história, portanto, vira maniqueísmo puro e simples.

Outra armadilha a que o filme sucumbe é resolver dar-se um ar de maior autenticidade abusando do jargão militar - um pecado que até Caçada ao Outubro Vermelho, uma aventura bem mais interessante do que esta, também cometeu. Os velhos clichês sobre as rivalidades entre oficiais de escalões diferentes também se repetem com espantosa mesmice. O conflito entre o tenente ávido por maior responsabilidade vivido por McConaughey e um comandante que duvida de sua capacidade (Bill Paxton), aliás, acontece logo no começo. No mais, o grande elenco, todo masculino, tem poucos destaques. Na pele de um experiente marinheiro e de um oficial de comunicações, respectivamente, Harvey Keitel e o roqueiro Jon Bon Jovi, fazem pouco mais do que figuração.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 27/06/2012 - 19h15 - Por cristiano Um dos melhores filmes de guerra que já assisti.
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