28 Dias

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Crítica Cineweb

02/08/2003

Depois de atingir inesperadamente o status de estrela na direção do ônibus desgovernado de Velocidade Máxima, Sandra Bullock deu repetidos sinais de querer sacudir a imagem de namoradinha da América. Nessa linha, encarnou uma bruxa que até participa de um assassinato para ajudar a irmã (Nicole Kidman) em Da Magia à Sedução. Mas aquela foi uma empreitada que ainda tinha um bocado de humor, apesar de perverso. Pior foi quando aceitou fazer uma maluquinha que balança as convicções de um noivo a caminho do casamento (Ben Affleck) em Forças do Destino - uma história em que, decididamente, nem mesmo a maquiagem fez justiça a um dos mais belos rostos de Hollywood.

Infelizmente, não estava ali a tentativa mais desastrada de Miss Bullock nessa fuga aos papéis adocicados - que lhe caem muito bem, queira ela ou não. Equivocada mesmo parece esta sua tentativa de interpretar uma alcoólatra condenada a ficar 28 dias numa clínica de reabilitação. Sob a direção frouxa de Betty Thomas (Dr. Dolittle), o filme trança as pernas mais do que a atriz, que não tem um momento convincente, nem sob o registro do drama, nem da comédia romântica que em momentos diferentes a história procura.

Não foi à toa que a escritora Gwen Cummings (Sandra) acabou confinada numa clínica. Seus excessos já bateram recordes, embora o pior deles tenha causado a ruína da festa de casamento da irmã (Elizabeth Perkins). Totalmente alcoolizada, Gwen escorregou por cima do gigantesco bolo, destruindo-o. Em seguida, apossou-se da limusine que trouxera a noiva, acelerando até destruir a parede de uma casa. Um verdadeiro show, com direito a um striptease no meio do caminho.

Uma vez na clínica, a história se encaminha para ser uma cópia malfeita do drama Garota, Interrompida. Mas ali a profundidade era maior. Aqui, a protagonista debate-se em sua dificuldade de largar o vício da bebida, ainda mais com um namorado (Dominic West) que lhe traz garrafas escondidas durante a visita. Mas não ajuda nada o filme a decolar o tom didático de psicologia de almanaque, mostrando os flashbacks da mãe alcoólatra de Gwen e os costumeiros clichês nos colegas de internação, como a adolescente com tendência suicida. Um desperdício, também, não se ter encontrado um papel melhor para Marianne Jean-Baptiste, que interpreta uma das pacientes da clínica, depois de ter sido indicada ao Oscar de atriz coadjuvante no magnífico Segredos e Mentiras (1996).

Luiz Vita


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