Leonora, Adeus

Leonora, Adeus

Ficha técnica


País


Sinopse

Misturando cinebiografia e ficção, o diretor Paolo Taviani resgata a figura do escritor e dramaturgo siciliano Luigi Pirandello, recontando as peripécias da remoção de suas cinzas de Roma para Agrigento, sua terra natal, e também encenando uma de suas últimas histórias, "Il Chiodo",


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Crítica Cineweb

26/07/2022

Aos 90 anos, o veteraníssimo Paolo Taviani, em Leonora, Adeus, ousa na linguagem, assinando um filme que, na verdade, são vários, mesclando preto-e-branco e cores. A costura de suas narrativas múltiplas é inspirada pelo escritor siciliano Luigi Pirandello (1867-1936), tecendo-se histórias que resgatam seu prêmio Nobel de Literatura, em 1934, sua morte, dois anos depois, e os curiosos acidentes que permearam o deslocamento de suas cinzas, de Roma para sua terra natal, Agrigento. 
 
É cinema em seu estado mais puro o que se cria na tela quando, ao diálogo interior de Pirandello (na voz do ator Roberto Herlitzka), somam-se sequências sobre o tempo que passa, enquanto ele, no leito de morte, vislumbra seus filhos - rapidamente, alternando suas idades, numa magia visual que não tem outra função do que a de resgatar a poesia inerente ao cinema.
 
O comentário político se infiltra na reencenação das peripécias do transporte das cinzas de Pirandello - que, ao deixar ordenada sua cremação, frustra os planos das autoridades fascistas de realizar um funeral repleto de camisas negras. As cinzas, porém, ficam 10 anos retidas num túmulo em Roma, até que, finda a II Guerra, um encarregado da prefeitura de Agrigento (Fabrizio Ferracante) vem resgatá-las para sua morada na terra natal do autor. Uma viagem repleta de peripécias dignas das histórias ficcionais do escritor. 
 
Em sua montagem caleidoscópica, assinada por Roberto Perpignani, o filme costura trechos de vários outros, de Roberto Rossellini (Paisà),Michelangelo Antonioni (A aventura), Alberto Lattuada (Il Bandito), Valerio Zurlini (Verão Violento), Aldo Vergoano (Il Sole Sorge Ancora) e dos próprios irmãos Taviani (Kaos, baseado, aliás, em histórias de Pirandello), concluindo com um relato intrigante do próprio autor sicilliano, Il Chiodo, escrito pouco antes de sua morte e que sintetiza como poucos de seus textos a complexidade original de seu imaginário.. 
 
Neste relato, um garoto (Matteo Pittiruti), imigrante siciliano em Nova York mata, sem qualquer motivo, uma menina (Dania Marino), que brigava com outra (Dora Becker). Uma situação intrigante e contraditória, bem ao gosto do autor e que tem no seu final uma reversão de expectativas, desvelando outra camada de humanidade. 
 
Leonora, Adeus foi, aliás, um dos poucos filmes a receberem aplausos nas sessões de imprensa no Festival de Berlim, de onde saiu com o prêmio da Fipresci, saudando merecidamente essa lufada de luz e ar fresco que sai das mãos desse cineasta experimentado e premiado, que a vida toda trabalhou com seu irmão, Vittorio - morto em 2018 e a quem este filme é dedicado. Foi com o irmão, também, que Paolo venceu um Urso de Ouro pelo esplêndido César Deve Morrer, em 2012.

Neusa Barbosa


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