Boa sorte, Leo Grande

Ficha técnica


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Sinopse

Nancy é uma professora viúva, cansada do marasmo da vida, interessada em ter seu primeiro orgasmo. Para isso, contrata um jovem profissional do sexo, que deverá satisfazê-la. Mas os encontros, num quarto de hotel, tomam outros rumos.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

13/07/2022

É preciso uma atriz do porte de uma Emma Thompson para dar vida a Nancy Stokes, protagonista de Boa Sorte, Leo Grande, uma ex-professora, que, depois de viúva, procura um garoto de programa para ajudá-la a ter seu primeiro orgasmo. Descrever o filme, no entanto, não faz justiça à complexidade e humanidade que o longa incorpora em suas personagens e relações humanas.
 
Dirigido por Sophie Hyde, com roteiro de Katy Brand, aqui temos algo raro no cinema – em especial de língua inglesa –, uma personagem madura que não é a mãe coadjuvante da comédia romântica ou a avó espevitada, também coadjuvante. Nancy é uma personagem complexa, nos sentimentos e ações. Assim como Leo Grande (Daryl McCormack), o experiente acompanhante que ela contrata e com quem se encontra num quarto de hotel em Londres.
 
O longa é quase como uma peça de teatro, quase que exclusivamente num único ambiente, acompanhando alguns encontros da dupla. O primeiro é, obviamente, o mais tenso. Nancy está nervosa, nunca fez isso, mas é pragmática, sabe o que quer e acredita que precisa resolver isso em sua vida. Leo, por sua vez, é calmo, sabe conversar, é quase um psicólogo, permitindo que a protagonista acessa seu interior, lembranças e sentimentos que a deixarão mais à vontade para o que deve suceder depois.
 
Hyde, assim como Leo Grande, não tem pressa. Os dois personagens têm tempo para se conhecer melhor, para conversar, para ficarem confortáveis um com o outro. Leo Grande, por mais atencioso e carinhoso que seja, encara aquele momento como o que é: uma relação de trabalho. Nancy já pagou e ele faz aquilo para o que foi contratado. O que não quer dizer que tudo seja frio ou mecânico, pelo contrário.
 
Ao mesmo tempo em que ele começa a conhecer a nova cliente, ele também parece se abrir. Fala sobre sua relação com a mãe, que pensa que ele trabalha numa plataforma de petróleo. Mas talvez ele seja apenas um personagem que está criando para seduzir Nancy, cujo lado materno é bem proeminente.
 
Assim se sucedem os encontros – sempre no mesmo quarto, por escolha dela, quase uma superstição. Porém, com o tempo, tudo se complexifica. No segundo deles, Nancy já não é mais tímida, ela tem uma longa lista de todos os experimentos sexuais que quer fazer. Leo se surpreende: tudo hoje? Sim. É em momentos como esse que o filme também encontra seu delicado humor, que advém mais das situações inusitadas, da inexperiência da protagonista, mas sem nunca a ridicularizar. O filme, assim como o rapaz, tem um enorme carinho por ela, além de um senso de compreensão impressionante dessa mulher.
 
McCormack, mais conhecido pela série Peaky Blinders, também é uma presença impressionante em cena. Não apenas porque, na maior parte do tempo, são apenas ele e Thompson, mas porque o filme depende dele quase tanto quanto dela. Um ator menos eficiente no papel poderia destruir tudo. A câmera também o ama, captura com gosto seu semblante, suas expressões enquanto ouve Nancy com atenção. Seu personagem poderia facilmente cair num clichê do operário do sexo, objetificado e superficial – mas tanto o ator, quanto o filme, o elevam a outro patamar. E o resultado, no geral, é impressionante.

Alysson Oliveira


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