O Telefone Preto

Ficha técnica


País


Sinopse

Finney é um adolescente que vive com seu pai e a irmã mais nova. Ele é sequestrado por um serial killer que rapta meninos, os tortura e mata. No cativeiro, o protagonista começa a receber estranhas ligações das vítimas do assassino, que vão tentar ajudar o rapaz a derrotar o algoz e vingar a todos.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

08/07/2022

Em termos de adaptações literárias, em 2022, Joe Hill teve mais sorte do que seu pai, Stephen King. O telefone preto, baseado num conto de Hill, é infinitamente superior a Chamas da vingança, inspirado num romance do mestre do terror. Não apenas pelo motivo da trama ser mais instigante, mas também, no geral, este filme é bem mais rico e bem feito.
 
Ainda assim, é bem claro que Hill e o filme, dirigido por Scott Derrickson, se valem de uma fórmula com elementos típicos da boa parte da obra de King – especialmente aquela protagonizada por jovens num momento de perda da inocência, como em Conta Comigo ou It: A Coisa,. E isso não é um problema, pois O telefone preto se apropria disso com tanto gosto e eficiência que se torna uma espécie de homenagem.
 
Esse filme também tem a sorte de trazer Ethan Hawke num momento de grande inspiração, numa atuação impressionante e assustadora – ajuda também o fato de ele usar máscaras aterrorizantes cobrindo parte de seu rosto. Ele interpreta um sujeito conhecido apenas como o Sequestrador, um serial killer que rapta meninos e os submete a coisas impensáveis antes de os matar.
 
Já faz um tempo que ele causa pânico num subúrbio na Denver do final dos anos de 1970, onde jovens adolescentes têm desaparecido. Depois, os prende num porão em casa e os tortura até a morte das maneiras mais sádicas. Poderia ser uma versão mais bem trabalhada de Jogos Mortais, mas o filme está muito mais interessado em outros elementos do que a perversidade e o sadismo gratuitos. Ufa!
 
Finney (Mason Thames) é um adolescente que sofre bullying na escola, é apaixonado por uma colega e vive com o pai (Jeremy Davis) viúvo, alcóolatra e abusivo, e a irmã mais nova, Gwen (Madeleine McGraw, roubando a cena). Como a mãe, que já morreu, a menina tem o dom de ter revelações em seus sonhos, o que é mais um motivo que o pai encontra para a espancar.
 
Não é surpresa que Finney acabará sequestrado, mas também será aquele que enfrentará o Sequestrador. Das interações entre os dois, no porão, o garoto tenta se salvar, manipulando o sujeito, mas isso nem sempre funciona. Há no local também um antigo telefone preto, que misteriosamente coloca o rapaz em contato com as antigas vítimas do Sequestrador – ele conhecia a todos na escola, alguns eram seus amigos, outros, não. Cada um tem um conselho, a partir de suas experiências, para ajudar o menino a conseguir sair dali.
 
Derrickson, que assina o roteiro com C. Robert Cargill, é eficiente em criar a tensão e o horror do sequestro – assim como os terrores dos ritos de passagem para a vida adulta. O embate psicológico entre os dois personagens centrais transforma O telefone preto numa espécie de versão adolescente de O silêncio dos inocentes – embora, é claro, sem toda a complexidade do filme sobre Hannibal Lecter.
 
A construção da narrativa se apoia também, em especial, na relação entre Finney e sua irmã, cada vez mais desesperada para ajudar o irmão, em contato com os detetives que investigam o caso – o que gera algumas das melhores cenas do filme, assim como nos momentos em que a menina conversa com Deus, Jesus e a Virgem Maria, pedindo para lhe trazer informações no sonho. Isso, no entanto, é bom deixar claro, não tem qualquer conotação religiosa, e a forma como o filme lida com a relação da garota com as entidades é muito bem resolvida.
 
O telefone preto é uma grata surpresa no gênero terror/suspense, com excelentes atuações, mas, acima de tudo, em sua compreensão de que o mal nem sempre tem explicações, assim como os elementos fantásticos/sobrenaturais.

Alysson Oliveira


Trailer


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