Bye bye Brasil

Bye bye Brasil

Ficha técnica


País


Sinopse

Pelas estradas do Brasil, viaja a caravana Rolidei, integrada pelo mágico Lorde Cigano, a dançarina Salomé e o homem forte Andorinha. Logo se juntam a eles o sanfoneiro Ciço e sua mulher, Dasdô. Pelas estradas do Norte e Nordeste, eles constatam que seu público vai minguando à medida que avançam as antenas de televisão.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

20/06/2022

Road movie e símbolo de uma época, Bye Bye Brasil, de Cacá Diegues, é, visto hoje, uma espécie de documento de uma era de passagem. O Brasil de então, nos estertores da ditadura militar de 1964, viajava a bordo daquele caminhãozinho precário da Caravana Rolidei, que abrigava a trupe de artistas mambembes que rodava um país em grande transformação - nem toda para melhor. 
 
O mágico Lorde Cigano (José Wilker), a dançarina Salomé (Betty Faria) e o homem forte Andorinha (Príncipe Nabor), integravam aquele pequeno circo de variedades que procurava arrancar a sobrevivência pelas estradas mais estreitas e barrentas do País. Mas enfrentavam ali um inimigo silencioso - as chamadas “espinhas de peixe”, as antenas de televisão que chegavam às menores localidades, uma obra do Brasil Grande militar, e que agora roubava o público dos espetáculos da caravana Rolidei.
 
Este é apenas um dos muitos comentários implícitos no roteiro de Diegues, ao lado de Leopoldo Serran, que, mesmo sem abandonar um tom cômico, se apropria de algumas mazelas do País, que cresce, sim, desordenado e caótico, amparado no desmatamento, no impacto ambiental e na expulsão dos povos indígenas - que farão uma breve mas dramática aparição ao longo do caminho. 
 
Antes disso, novos passageiros da caravana são incluídos numa parada no sertão nordestino: o sanfoneiro Ciço (Fábio Jr.) e sua mulher, Dasdô (Zaira Zambelli), em adiantado estado de gravidez, compondo mais alguns personagens da imensa galeria de trabalhadores que lutam pela sobrevivência nos muitos rincões de um Brasil que cresce e enriquece ao mesmo tempo em que nega oportunidades reais a muitos deles. 
 
Embalado pela bela canção-título de Chico Buarque de Holanda e Roberto Menescal, Bye Bye Brasil envereda pelos sonhos desencontrados de liberdade e prosperidade desse grupo de pequenos empreendedores, artistas, trabalhadores, para desvelar a maneira predatória de ocupação do nosso vasto território. Errantes do interior nordestino ao Norte amazônico, seguindo as veredas das novas fronteiras em que aventureiros sem escrúpulos são os únicos a se dar bem, numa terra sem lei em que os projetos nunca contemplam a civilização, os integrantes da caravana seguem em frente. Se o filme não abandona o humor nem o erotismo nesta viagem, também segue adiante na sua trilha de revelação. Afinal, que País é este, a pergunta que não cessamos de nos fazer há tanto tempo.

Neusa Barbosa


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