Um dia qualquer

Ficha técnica


País


Sinopse

Anos atrás, Quirino, um ex-policial, se instalou numa comunidade, onde diz ter acabado com a violência. No entanto, o embate com um traficante local desencadeia uma série de eventos que culminarão em ainda mais violência.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

20/06/2022

Um dia qualquer, de Pedro von Krüger, transita entre dois polos: a milícia e os laços de família. Situada num subúrbio carioca, onde a violência e o medo são perenes, a trama segue um grupo de personagens cujas vidas são interconectadas não apenas pelo cenário e meio social, mas pelos seus erros.
 
O longa começa com uma narrativa em andamento, e parece, a princípio, um tanto confuso, até, finalmente, encontrar seu caminho. Numa praça, um grupo de jovens conversa depois do desfile de um bloco de carnaval. É noite, e o assunto é relativamente banal, até que um ato de violência acontece e um dos rapazes, Emerson (Gabriel Leal), filma tudo com seu celular. Por isso, também acabará vítima dos mesmos milicianos.
 
Assim é introduzido o chefão da milícia local, Quirino (Augusto Madeira), e seu braço direito, Maciel (Vinicius de Oliveira). Ambos, ex-policiais que se estabeleceram no bairro, garantido a paz e segurança por meio da violência. Na outra ponta está Penha (Mariana Nunes), amante de Quirino e de um traficante (Jefferson Brasil), tendo filhos com ambos. Ela também é evangélica.
 
Penha é uma personagem central no filme, mas um tanto mal delineada. Ela aparece primeiro como amante fervorosa, fazendo jogo duplo entre o miliciano e o traficante, que acaba morto, na frente dela. No dia seguinte, descobre que Emerson desapareceu e tem certeza de que foi Quirino quem o matou. Nesse momento, em seu figurino evangélica, é uma mãe ferida, disposta a tudo.
 
Os dois momentos da personagem não acontecem de forma orgânica, parecendo duas pessoas interpretadas pela mesma atriz. Não que não exista hipocrisia, e uma evangélica recatada não possa, ao mesmo tempo, às escondidas, fazer atos que sua religião condena. Mas, no filme, não funciona.
 
Há também a família de Quirino, o filho estudante de direito, Beto (Willean Reis), que tem um caso com a jovem madrasta, Bruna (Tainá Medina), na mesma casa onde todos moram. Nelson Rodrigues manda lembranças.
 
Em um único dia, depois do desaparecimento de Emerson, o filme acompanha os diversos acontecimentos interligados: Penha procura seu filho e acusa Quirino, enquanto o filho deste pega uma arma do pai, para “dar um susto” em comerciantes que devem propina à milícia – esse é o segmento menos convincente da trama.
 
O roteiro, assinado pelo diretor, Leonardo Gudel, Victor Rosa e Bernardo Doutel, liga esse grupo de personagens até seu final, no qual parecem cumprir com seus destinos de forma um tanto abnegada. As boas interpretações de Madeira e Oliveira são desperdiçadas em personagens que não decolam para além dos clichês, em situações esquemáticas. Destaca-se, aqui, no entanto, a fotografia de Jacques Cheuiche.

Alysson Oliveira


Trailer


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