A boa mãe

A boa mãe

Ficha técnica


País


Sinopse

Nora trabalha num aeroporto, e não tem muitas alegrias na vida. Tudo se complica quando seu filho mais velho é preso numa tentativa de assalto, e agora ela precisa se esforçar para pagar os advogados para o libertar.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

30/05/2022

Em seu segundo longa como diretora, A boa mãe, a atriz francesa Hafsia Herz (O segredo do grão), situa a ação na cidade de Marselha, que passados seus anos de glamour, é marcada pelos altos índices de violência e pobreza. As personagens, aqui, são uma família liderada por Nora (Halima Benhamed), que se divide tem mais de um emprego para poder sustentar a casa.
 
No pequeno apartamento, divide o espaço com a filha, Sabah (Sabrina Benhamed), o filho, Amir (Malik Bouchenaf), uma nora e um par de netos. O filho mais velho, Ellyes (Moura Tahar Boussatha), está preso e a espera de julgamento, o que gera gastos altíssimos com o advogado. De qualquer forma, é a presença de Nota que mantém a família unida e de pé.
 
Herzi, que também assina o roteiro, faz no filme um estudo de personagem: uma mulher na faixa dos 50 anos, cuja vida é marcada pelo trabalho e esforços incessantes para cuidar de sua família. O filme prisma pelo realismo social e um olhar carinhoso pela personagem que raramente encontra seu próprio lugar de fala. Seu grande prazer (se não o único) é acordar cedo para ver o sol nascer, e logo depois ir para o trabalho.
 
Nora, interpretada com brio e verve pela estreante Benhamed, não é alçada à categoria de mártir, mas, pelo contrário, a diretora busca o que há de mais humano nela. O rosto da atriz demonstra todo a sabedoria e o peso do tempo e do trabalho que a personagem tem enfrentado por anos. Possivelmente pela experiência da própria diretora na atuação, ela consegue extrair da interpretação de Benhamed camadas mais profundas.
 
Herzi também se revela uma diretora sagaz e competente no retrato da pobreza. O filme poderia cair, facilmente, no sensacionalismo, mas ela evita o transformar num poverty porn, exatamente por procurar e mostrar o que há de mais humano naquelas pessoas que vivem em condições de adversidade. No cinema francês recente, Marselha é conhecida pelos diversos filmes de Robert Guédiguian. Aqui, a cineasta compartilha não apenas não apenas o cenário com o colega, mas também o interesse de dar voz e protagonismo a aqueles e aquelas muitas vezes excluídos na sociedade e no cinema.

Alysson Oliveira


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