Tudo em todo o lugar ao mesmo tempo

Ficha técnica


País


Sinopse

Evelyn Wang é uma imigrante chinesa, dona de uma lavanderia, e às voltas com uma fiscalização de seus impostos. Tão super-ocupada ela vive que nem acha tempo de falar com o marido, Waymond - que quer o divórcio. Mas há algo muito mais importante que ela não notou e tem a ver com sua importância no equilíbrio entre diversos universos paralelos.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

25/05/2022

O tema do multiverso está no ar - vide Homem-Aranha: Sem Volta para Casa e Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. Mas a visão que a dupla dos Daniels - Daniel Kwan e Daniel Scheinert -, diretores e roteiristas de Tudo em todo o lugar ao mesmo tempo sobre o assunto, é bem mais anárquica e ainda mais acelerada do que as produções da Marvel. No entanto, os personagens deste filme não são super-heróis nem têm superpoderes, o que faz toda a diferença. E deveria fazer ainda mais.
 
Faz todo sentido também que a protagonista seja uma mulher, no caso, Evelyn Wang (Michelle Yeoh) - afinal, na vida real, mulheres são mesmo essencialmente seres multitarefa. Ela é uma imigrante chinesa, dona de uma lavanderia e às voltas com a papelada a entregar a uma exigente fiscal de impostos, Deirdre Beaubeirdra (Jamie Lee Curtis, divertidíssima como a megera de plantão).
 
Evelyn vive tão ocupada com a lavanderia, os papeis e o pai idoso e implicante, Gong Gong (James Hong), que nem dá muita atenção ao marido, Waymond (Ke Huy Quan) - que nem consegue dizer-lhe que quer o divórcio. A filha única do casal, a jovem Joy (Stephanie Hsu), também não consegue ter uma conversa decente com a mãe, que evita encarar de frente a homossexualidade da filha, namorada firme de Becky (Tallie Medel). 
 
Mas é quando se dirige, com marido e pai, à repartição de impostos que Evelyn acaba fazendo a descoberta de sua vida - de que esta é apenas uma de suas múltiplas versões. Em outras realidades paralelas, ela é uma cantora de ópera, uma chef, uma estrela de cinema e assim por diante. Waymond, por sua vez, assim como seu pai, têm outras versões também. Mas o que é mais importante, segundo Waymond, é que Evelyn é peça fundamental para salvar o mundo de uma obscura entidade, chamada de Jobu Tupaki.
 
Se é simples resumir a trama assim, não é nada simples acompanhar as estrepolias de Evelyn pelas várias realidades, o que se dá num ritmo frenético e muitas vezes delirante, com direito a algumas bem-sacadas homenagens cinematográficas, como a filmes de Stanley Kubrick, por exemplo.
 
Não se pode negar que os Daniels (diretores de Um Cadáver para Sobreviver) sejam criativos e ousados - eles não temem ultrapassar, de vez em quando, até o que se considera limite do bom gosto para criar algumas situações, neste filme, envolvendo as coisas esquisitas que os personagens precisam fazer para conseguir pular entre realidades alternativas. Isso e alguma violência explica a indicação etária atribuída ao filme aqui.
 
Esta adrenalina toda, por outro lado, acaba sacrificando em parte a empatia que se poderia desenvolver pelas personagens principais, no caso, Evelyn, Waymond e Joy. Num determinado momento, a questão entre mãe e filha ganha relevância e talvez pudesse ter sido aproveitada com mais apuro. De repente aqui se poderia ter mais leveza e algum toque extra de humor. 
 
Em todo caso, é um prazer assistir à disponibilidade da estrela Michelle Yeoh para entregar-se a um filme como este, exercendo em tudo a versatilidade de sobra que ela tem a mostrar. 

Neusa Barbosa


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