Está tudo bem

Ficha técnica


País


Sinopse

Depois de sofrer um derrame, André, de 85 anos, diz à sua filha, a escritora Emmanuèle Bernheim, que não quer mais viver, e pede-lhe que o ajude a realizar uma morte assistida.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

25/05/2022

Partindo de um romance autobiográfico de sua amiga e escritora Emmanuèle Bernheim, em Está tudo bem François Ozon faz um filme delicado e de profunda compreensão sobre um assunto doloroso: a eutanásia. Sem cair em armadilhas de sentimentalismo, dirigindo com elegância e verve, o cineasta investiga a delicada relação entre uma filha e seu pai que, depois de um derrame, pede para morrer.
 
André Dussollier, debaixo de uma maquiagem pesada, interpreta André Bernheim, enquanto Sophie Marceau (que há muito não tinha um papel tão bom) vive a escritora Emmanuèle Bernheim. Ele, um empresário de sucesso, na faixa dos 80 anos, não vê mais sentido em sua vida, tendo de ficar numa cama e dependendo de ajuda dos outros para sempre. O homem vigoroso e dono de uma língua afiada, como mostram os flashbacks, não aguenta a nova situação.
 
Manue é, claramente, a filha preferida – apesar de alguns episódios infelizes no passado –, e tem a dura tarefa de ajudar o pai com seu último desejo, apesar de contar com a ajuda da irmã, Pascale (Géraldine Pailhas). A mãe (Charlotte Rampling), divorciada do marido, tem seus próprios problemas de saúde para se preocupar.
 
Com o passar do tempo, André parece ter se acostumado à nova condição, seu humor melhora e parece estar mais interessado na vida – até que se percebe que tudo isso é uma consequência do que acredita que será sua libertação com a morte assistida. |Descobre uma organização suíça que advoga pelo direito das pessoas morrerem com dignidade, e entra em contato com uma alemã (Hanna Schygulla), que lhe explica sobre todo o procedimento.
 
Outras questões morais também emergem ao longo do processo, quando André conta à prima Simone (Judith Magre) o que pretende fazer. Esta, que mora nos EUA, volta à França a fim de o lembrar de seus ancestrais que morreram no Holocausto. Ele, André, tem a obrigação de honrar a memória desses parentes seguindo em frente com sua vida.
 
Ozon, que trabalhou com Emmanuèle em filmes como Swimming Pool – À beira da piscina, com quem assina o roteiro, só pensou em adaptar o livro da amiga depois da morte, dela, em 2017. Aqui o diretor trabalha num tom menor e sutil, dando ainda mais espaço para Marceau, numa interpretação marcante – assim como Dussollier. Está tudo bem não é um filme de respostas simples – o diretor não cai na armadilha de reduzir a questão central ao dilema moral, permitindo que as nuances da história e as personagens dêem conta da complexidade do tema.

Alysson Oliveira


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