Roda do Destino

Ficha técnica


País


Sinopse

Ao ouvir sua amiga, Tsugumi, falando maravilhas de um homem que conheceu, Meiko se dá conta de que se trata de seu ex. Querendo vingar-se do professor da faculdade que o reprovou, Sasaki convence sua amiga, Nao, a tentar envolvê-lo numa armadilha. Encontrando-se na rua, Natsuko e Aya pensam reconhecer uma na outra amigas da adolescência.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

03/01/2022

Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim 2021, Roda do Destino, de Ryusuke Hamaguchi, é um primor de engenharia narrativa, requinte e delicadeza, ao narrar três histórias independentes unidas apenas poer algumas linhas temáticas. Em todas elas, a palavra tem um peso extraordinário. 
 
Na primeira, Magia (ou algo parecido, uma parte da ação passa-se dentro de um automóvel, em que duas moças, Tsugumi (Hyunri) e Meiko (Kotone Furukawa)), conversam. O tema é um homem (Ayumu Nakajima) que Tsugumi acaba de conhecer e começa a despertar-lhe uma incipiente paixão. O interesse de Meiko em conhecer todos os detalhes do encontro da amiga logo revela ser bem mais do que mera curiosidade - Meiko sabe mais do que demonstra sobre este homem, que ela reconheceu apenas pela descrição da amiga, o que conduz a narrativa a algumas possibilidades, algumas reais, outras imaginárias. 
 
Na segunda história, Porta Escancarada, o ambiente é uma universidade. O rígido professor de francês, Segawa (Kiyohiko Shibukawa), reprova um aluno, Sasaki (Shouma Kai), o que provoca desespero no rapaz, a ponto de ele prostrar-se no chão, procurando comover o mestre - sem sucesso. Sasaki convence então uma colega, Nao (Katsuki Mori), a participar de uma armadilha, tentando envolver o professor numa tentativa de assédio que o comprometa. A parte mais engenhosa deste segmento é a gradativa mudança de clima na sala do professor, alternando um jogo de poder que depende mais da palavra do que qualquer coisa - afinal, Nao e Segawa nunca se tocam. Um pequeno desastre, no entanto, está à vista, provocado por um erro não-intencional, que acarreta consequências drásticas para dois personagens.
 
No terceiro episódio, Mais uma vez, Natsuko (Fusako Urabe) comparece a uma reunião de velhos colegas de escola, pensando em reencontrar uma amiga que perdeu de vista, com quem manteve uma história inacabada. Esta não foi ao encontro e Natsuko fica muito decepcionada. Na rua, por acaso, ela vê Aya (Aoba Kawai) e pensa reconhecer nela a antiga colega. A outra, por sua vez, também parece reconhecê-la e a convida à sua casa. Neste encontro, uma série de detalhes levam as duas, de todo modo, a resgatarem algo que estava perdido. 
 
Muito se fala que o diretor Hamaguchi - que realizou antes Asako I & II (2018) - tem algo de Éric Rohmer neste entrelaçamento de situações e histórias cotidianas. Até pode ser, mas mais verdade é que seus relatos têm um tom indelevelmente nipônico, que se apropriam dos sentimentos de seus personagens com o toque do minimalismo de um Yasuhiro Ozu e outro toque ético de um Akira Kurosawa, conjugando este possível parentesco estilístico dentro de um universo calcado na literatura - no caso, as três histórias aqui reunidas vieram de contos do próprio diretor, que assina o roteiro. 
 
Jogando com muitos detalhes, mesmo que de poucos personagens, o diretor mostra competência em criar rapidamente uma atmosfera, alterando as expectativas uma ou duas vezes ao longo de cada história, de maneira a manter o espectador envolvido, disposto a contribuir com sua imaginação para tentar prever o que acontecerá a seguir. É neste sentido, assim como numa precisa direção de atores, que Hamaguchi comprova seus maiores talentos. 

Neusa Barbosa


Trailer


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