Benedetta

Ficha técnica


País


Sinopse

No final do século XVII, Benedetta é uma jovem que entra para um convento. Pouco tempo depois, ela começa a ter visões que a perturbam e causam transtornos no convento. Uma colega de claustro é designada a ajudá-la, mas as duas acabam se apaixonando.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

12/01/2022

O veterano cineasta holandês Paul Verhoeven, como se sabe, não é dado a sutilezas. Seu estilo vigoroso, não raro bruto, encarou temas polêmicos desde sua carreira na Holanda natal - como O Quarto Homem (1983, sobre um homem que tem visões)- passando por ficções científicas de impacto nos EUA - RoboCop (1987) e O Vingador do Futuro (1990) - até desaguar na vertente que mais o tornou conhecido, o sexo, a partir do escândalo da cruzada de pernas de Sharon Stone em Instinto Selvagem (1992) e que culminou no inquietante Elle (2016), em que a protagonista (Isabelle Huppert) exibe uma conduta desconcertante para acertar as contas com seu estuprador. 
 
É com o mesmo desassombro e um generoso grau de crueza que o diretor se entrega a Benedetta, adaptação de um livro da historiadora Judith C. Brown que detalha a história real de uma freira italiana do século XVII, Benedetta Carlini, condenada por lesbianismo. Num convento dirigido com mão de ferro pela abadessa Felicita (Charlotte Rampling), o filme retrata um universo feminino recluso, reprimido pelas rígidas convenções católicas da época, ao qual não falta um pragmatismo econômico notável.  
 
É ali que desembarca Benedetta ainda criança (Elena Plonka), entregue pelos pais juntamente com uma generosa soma em dinheiro, para tornar-se freira, cumprindo uma promessa da família. Adulta (agora interpretada por Virginie Efira), Benedetta tornou-se uma religiosa dedicada febrilmente à sua fé, alimentada por suas visões de Cristo. 
Um paralelo interessante ocorre esse fervor religioso e o furor sexual reprimido de Benedetta, que só é concretizado carnalmente com a chegada de uma nova noviça, Bartolomea (Daphne Patakia). 
 
Muitas das cenas mais quentes do filme retratam o sexo entre as duas, que não se interrompe nem mesmo quando Benedetta é alçada à condição de abadessa. Verhoven, certamente, é um diretor inteligente demais para gastar toda a energia da história apenas nos encontros sensuais das duas mulheres, que são muitos e mostrados com a franqueza que se poderia esperar do diretor holandês. Ele não perde de vista o contexto histórico da narrativa, numa Itália que sofria a eclosão da peste bubônica - embora Pescia, cidade de Benedetta, seja misteriosamente poupada da doença - em que as causas eram atribuídas aos pecadores, não raro queimados em fogueiras por sentenças de tribunais da fé. 
 
Sustentar melhor a ambiguidade entre o misticismo e a sensualidade de Benedetta, que são inseparáveis em sua persona, requereria, no entanto, um diretor ligeiramente mais sofisticado e bem mais sutil do que Verhoeven. Adepto de cenas de impacto visual (com fotografia de Jeanne Lapoirie), o diretor se entrega com gosto a desvelar as contradições do ambiente das duas amantes, extraindo daí o aspecto mais interessante da produção. Mas sua abordagem afogueada não permite explorar com mais vagar as relações de poder entre as freiras no convento ou da própria abadessa, seja ela quem for, diante das autoridades maiores da Igreja, todas sendo homens, como o núncio Alfonso (Lambert Wilson).

Neusa Barbosa


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