Carta de uma Desconhecida

Carta de uma Desconhecida

Ficha técnica


País


Sinopse

Desde a adolescência, Lisa é apaixonada por um jovem pianista de sucesso que nunca nem olhou para ela. Depois de adulta, ela o reencontra e eles vivem momentos de paixão que a marcarão para sempre. Mas, para ele, ela foi só mais uma de suas conquistas.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

27/12/2021

As palavras “obras-primas” costumam estar perto do nome do cineasta alemão Max Ophüls. E não é nenhum exagero, pois ele assinou uma meia dúzia delas. Carta de uma desconhecida, certamente, está no grupo. Um melodrama elegante e sofisticado, de 1948, que parte da novela homônima de Stefan Zweig e conta uma história de amor infeliz e trágica. Em mãos menos hábeis, seria um novelão mexicano, mas aqui transforma-se no melhor que o cinema tem a oferecer.
 
Como em A Ronda, há um artificialismo nos cenários que contrastam com a sinceridade dos sentimentos das personagens. A fotografia em preto e branco, assinada por Franz Planer, dá um ar atemporal para o filme, cuja trama se situa por volta de 1900, em Viena – aliás, a maneira como a cidade é vista e retratada está em franca oposição àquela de Carol Reed em O Terceiro Homem. Aqui é um lugar melancólico de solidão e socialmente esfuziante.
 
O filme começa com a carta do título, recebida por Stefan Brand (Louis Jourdan), um jovem pianista renomado e mulherengo que lê a epístola sem saber quem a mandou – pois são tantas mulheres em sua vida que a remetente é só mais uma. O filme se abre, então, num longo flashback a partir do relato da jovem Lisa Berndle (Joan Fontaine), que o ama desde a adolescência, quando morava num apartamento próximo ao dele, observando-o de longe. Uma pequena ousadia: um dia ela abre a porta do prédio para ele e o cumprimenta. A vida da garota se transforma.
 
Quando a mãe se casa novamente, e, com ela, Lisa se munda para Lind, a paixão ainda a consome. Tanto que, assim que pode, volta para Viena, começa a trabalhar como modelo e reencontra Brand, um pianista ainda mais renomado e ainda mais egocêntrico. Mas ele também está em crise: sua rápida ascensão o coloca em dúvida sobre si mesmo e e sua arte.
 
Ophüls trabalha cada elemento do melodrama, da paixão louca de Lisa, do egoísmo e das incertezas do pianista, no seu próprio tempo. Embora, o filme seja curto, o diretor consegue encapsular, em poucos momentos, as experiências de duas vida em sua completude. O reencontro entre o casal (embora Brand não se lembre que já conhece a moça) dá aos dois aquilo que mais queriam: o amor e se reencontrar como homem e profissional.
 
Produção americana, Carta de uma desconhecida segue as regras do gênero - sem repetir a inventividade visual de outra obra-prima do diretor, Lola Montés, ressalta-se a sinceridade de uma história de amor e grandes interpretações de Fontaine e Jourdan, em personagens que, no papel, podem ter parecido caricatos e exagerados, mas na tela brilham em sua mais honesta humanidade.

Alysson Oliveira


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