Imperdoável

Ficha técnica


País


Sinopse

Condenada pela morte de um policial, Ruth Slater deixa a prisão após 20 anos. Apesar de ter sido proibida disso, ela procura o paradeiro de sua irmã caçula, Katherine, que foi adotada por outra família. Mas há quem procure Ruth para exercer uma vingança.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

27/12/2021

É difícil resistir à curiosidade de assistir a Imperdoável, um drama com elenco lotado de atores consagrados e uma diretora, a alemã Nora Fingsheidt, que ostenta no currículo o surpreendente cult Transtorno Explosivo (2019). 
A inspiração do roteiro - assinado por Peter Craig, Hillary Seitz e Courtenay Miles - vem da minissérie britânica Unforgiven, de Sally Wainwright, e tem de cara o desafio de compactar num único filme o que na série era distribuído em três episódios. Se esse é um problema, pela necessidade de explicar tanto em pouco tempo, acaba nem sendo a questão maior. Na pele da protagonista, Sandra Bullock, que já comprovou ser uma intérprete com muitos recursos, fica um tanto atolada num registro que procura mais a ênfase numa certa catatonia do que na busca de caminhos para que esta mulher traumatizada encontre algum tipo de redenção.
 
Por ser quem é, Sandra não põe, evidentemente, tudo a perder, resgatando alguns momentos em que se pode vislumbrar vestígios do drama profundo de Ruth Slater, sua personagem. Deixando a cadeia depois de 20 anos, por ter matado um policial, ela exibe no rosto e na linguagem corporal o peso do mundo - Sandra, aliás, está fisicamente menos glamourosa do que nunca. Nada parece motivá-la, nem mesmo a libertação. Ela se hospeda na Chinatown de Seattle, numa pensão caída, destinada a pessoas na mesma situação que, por sua sordidez, parece uma extensão da cadeia. Seu oficial de condicional, Vincent Cross (Rob Morgan), não é, evidentemente, um amigo. Ela parece não ter afetos disponíveis, nem sentir-se com direito a eles.
 
Imagens em flashback informam sobre o dramático incidente em que ela matou um xerife, quando este liderava um grupo de policiais que dava apoio ao seu despejo. Na cena, havia uma criança, sua irmã caçula, Katherine, que, devido ao crime, foi entregue em adoção a uma família. Ruth, por sua vez, está judicialmente impedida de procurá-la.. 
Outros flashbacks traumáticos abalam a hoje jovem adulta Katherine (Aisling Franciosi), cujos pais adotivos (Linda Emond e Richard Thomas) decidiram ocultar-lhe o dramático incidente que abalou sua infância. Só que Katherine guarda memórias confusas desse acontecimento, que ela não consegue decifrar.
 
A tensão central da história é, portanto, a procura de Ruth por Katherine, que num determinado momento ganhará um inesperado mentor no advogado John Ingram (Vincent D’Onofrio). Incluindo também sua mulher, Liz (Viola Davis), e dois filhos, os Ingram são agora os moradores da fazenda em que ocorreu o assassinato que provocou a prisão de Ruth.
 
Esse lado da história, embora não desprovido de chavões, flui melhor do que o outro núcleo, este envolvendo o plano de vingança contra Ruth dos dois filhos do xerife morto, Keith (Tom Guiry), e Steve (Will Pullen). Nesta parte da trama, assim como no ambiente de trabalho de Ruth, a diretora mostra não ter uma mão tão capaz quanto o necessário, implicando numa sucessão de cenas apressadas e pouco críveis. 
 
Compensa um pouco que a sequência final proporcione algum tipo de catarse para a protagonista e sua irmã. Mas é como se o filme fosse um trem com excesso de carga que houvesse demorado demais para livrar-se dos excedentes, quase descarrilando para chegar ao destino.

Neusa Barbosa


Trailer


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