Annette

Annette

Ficha técnica


País


Sinopse

O comediante Henry e a cantora lírica Ann formam um casal bastante midiático, cujo relacionamento se transforma com o nascimento da filha, Annette, interpretada por uma marionete.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

22/11/2021

Annette, de Leos Carax, é um musical e, como tal, funciona em seu universo próprio, como é típico do gênero em que as pessoas param de fazer o que estão fazendo para cantar – ou cantam enquanto fazem suas tarefas cotidianas. Enfim, pede-se uma suspensão da realidade para um mundo paralelo mediado pela música. Aqui, exige-se um pouco mais do que isso e o resultado é compra-se tudo ou não. O júri do Festival de Cannes 2021 comprou e deu ao filme o prêmio de direção.
 
A Annette do título é a criança filha de um comediante, Henry (Adam Driver), e uma cantora lírica, Ann (Marion Cotillard, um tanto apagada no filme). Um casal de estrelas que está na mídia o tempo todo. Tudo o que fazem gera notícias, desde uma saída para jantar até a gravidez e a possível crise na relação. Tudo também é marcado por músicas, compostas pelo duo americano Sparks, formado pelos irmãos Ron e Russell Mael, que também assinam o roteiro.
 
A primeira canção, ainda na abertura do filme, é “So we may start” (algo como “Podemos começar”) – a quem isso pareça soar reiterativo, a resposta é, sim, isso é totalmente reiterativo. E, por longos 2h19 minutos, seguem músicas que parecem estar repetindo o que se vê na tela, como aqueles diálogos em que personagens dizem “vamos atacar o castelo do rei!”, enquanto atacam o castelo do rei. Música e imagem dizem a mesma coisa – o tempo todo.
 
Ann é uma cantora de sucesso, seu companheiro parece que nem tanto. Seus números cômicos não parecem tão engraçados – e, a julgar pelo que se vê, é de se perguntar se um dia o foram. O casamento entra em crise, mas uma gravidez poderia salvá-lo. Até que vem ao mundo a bebê Annette, “interpretada” por uma marionete, e assim continuará com o passar dos anos. Quem achou a filha de Bella e Edward, de Crepúsculo, bizarra, não perde por esperar para ver a filha de Ann e Henry – ela inclusive voa.
 
Uma tragédia se abate sobre a família, e Henry começa a explorar Annette, transformando-a em uma pequena cantora famosíssima, fazendo shows pelo mundo todo apesar da pouca idade. Esse mundo das celebridades a consome cada vez mais, a menina se sente cansada, mas faz shows que alcançam níveis surreais.
 
Carax, que sempre teve uma queda pelo onírico bizarro, encontra em Annette o veículo ideal para seus voos de imaginação. Visualmente, o longa é repleto de momentos fortes, mas seus comentários sobre o mundo e a vida dos famosos parecem vir direto de umas décadas atrás. Ele dá, por exemplo, crédito demais ao poder da mídia nos dias de hoje, ingênuo em certa medida. É obviamente um filme sobre artificialismos – e a presença de uma criança artificial é o maior indício disso.
 
É, ao mesmo tempo, altamente pretensioso - algo também típico do cinema do diretor. As primeiras frases do filme pedem a completa atenção das senhoras e dos senhores, e segue: “Se você quiser cantar, rir, bater palmas, chorar, bocejar, vaiar ou peidar, por favor, faça na sua cabeça, apenas na sua cabeça.” Nem respiração “será tolerada durante o show”, conclui. Ah, tá.
 
Depois de “Podemos começar, vamos começar”, músicas seguem com frases do tipo “Nós nos amamos muito” e “Inspire, expire, empurre, empurre” (essa durante o parto). É óbvio que ninguém entra num filme de Carax esperando algo muito diferente disso, e o que fica claro é ser preciso entrar num filme dele sem questionar muito, apenas aceitando a realidade paralela onde vivem seus personagens e se dão suas ações. Além disso, inútil pedir coerência, algo que não existe em Annette – para alegria de uns e um teste de paciência para outros.

Alysson Oliveira


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