Madre

Madre

Ficha técnica


País


Sinopse

Dez anos atrás, durante uma viagem com o pai, o filho de 6 anos de Elena desapareceu numa praia na França, enquanto ela estava em casa, em Madri. Agora, ela abandonou sua cidade, mudando-se para a mesma praia onde ele sumiu, na esperança de encontrar o garoto, agora um adolescente. Lá ela conhece um jovem com quem começa uma amizade peculiar.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

22/11/2021

Desde seus primeiros minutos, o espanhol Madre agarra o seu público e não o solta mais. Dirigido por  Rodrigo Sorogoyen, a partir de seu curta homônimo indicado ao Oscar em 2019, o filme começa com o pesadelo de qualquer mãe. Elena (Marta Nieto) está em sua casa em Madri, quando recebe uma ligação do filho de 6 anos, que está com o pai, ex-marido dela, numa praia na França. O menino está desesperado e conta que está sozinho e não sabe o que fazer. Ele está na própria praia, e não há nada (nem casa, ou estabelecimento) por perto, e nenhuma pessoa também – até que chega alguém. Narrada num plano-sequência, a cena toda é bastante tensa e serve como prólogo do longa.
 
Dez anos depois, Elena mudou-se para essa praia, onde o filho desapareceu, e está sempre na esperança de o reencontrar. Nesse tempo todo, como é compreensível, a personagem não superou o trauma mas, ainda assim, tenta levar uma vida mais ou menos normal, como gerente num pequeno restaurante local.
 
O roteiro, escrito por  Sorogoyen e Isabel Peña, toma um caminho que, em mãos menos hábeis, poderia tornar-se ridículo ou forçado. Mas a trama é conduzida com sinceridade e o perfil psicológico das personagens, muito bem construído. Elena conhece um rapaz de uns 15 anos, que julga que pode ser o seu filho. Provavelmente é apenas uma espécie de compensação simbólica que ela desenvolve em sua mente para a perda, mas o filme não transforma isso num grande suspense. A questão que interessa a Madre é outra.
 
O garoto é Jean (Jules Porier), que ela conhece na mesma praia onde seu filho desapareceu. O lugar que, uma década atrás, estava completamente vazio, agora está repleto de crianças, jovens e adultos. Ele está passando uma temporada com os pais, interpretados por Frédéric Pierrot e Anne Consigny, e um par de irmãos.
 
Jean, claramente, não é o filho de Elena, e ela parece estar ciente disso. Mas, ainda assim, começa a seguir o rapaz, trocam telefones se tornam amigos. É uma relação delicada, que incomoda os pais do rapaz, em que o garoto parece estar platonicamente apaixonado pela protagonista do filme. Em alguns momentos, a relação, pelo ponto de vista dele, parece ameaçar tomar contornos sexuais, mas isso nunca se concretiza.
 
O que o diretor consegue com segurança em Madre é mergulhar na existência de Elena, uma personagem complexa que pode estar passando pelo processo de expiação de um trauma que também envolve culpa – ela sequer sabia o nome da praia onde o filho estava com seu ex-marido. Muito ajuda a interpretação precisa de Nieto, que foi premiada por esse trabalho na seção Horizontes do Festival de Veneza de 2019, e também indicada ao Goya como atriz protagonista. É um estudo de personagem que parte de um começo tenso e se transforma, tal como Elena, com o tempo, em algo mais relaxado, quase meditativo. Com este longa, Sorogoyen firma-se como um dos nomes de maior destaque da nova geração de cineastas espanhóis.

Alysson Oliveira


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