8 Presidentes, 1 Juramento - A história de um tempo presente

8 Presidentes, 1 Juramento - A história de um tempo presente

Ficha técnica

  • Nome: 8 Presidentes, 1 Juramento - A história de um tempo presente
  • Nome Original: 8 Presidentes, 1 Juramento - A história de um tempo presente
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2021
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 148 min
  • Classificação: 10 anos
  • Direção: Carla Camurati
  • Elenco:

País


Sinopse

Com uma pesquisa de arquivo abrangente, o documentário resgata a história recente do país a partir do fim da ditadura militar, trazendo um apanhado dos governantes que passaram pela cadeira da presidência desde 1985.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

17/11/2021

Documentário dirigido por Carla Camurati, 8 Presidentes 1 Juramento – A História de um Tempo Presente, é talvez o filme de que precisávamos nesse momento e não sabíamos disso. Olhando para o passado recente do país, resgatando uma história em movimento, a diretora faz o melhor que um longa poderia fazer: ilumina o presente. Como pudemos chegar a isso?, é uma pergunta constante no Brasil nos últimos anos. O filme não aspira dar uma resposta definitiva para essa indagação, mas seu retrato do país dá margem a algumas hipóteses.
 
É um filme todo construído por imagens de arquivo, das mais variadas origens, que se organizam num vasto painel desde meados dos anos de 1980 até o presente, da eleição indireta de Tancredo Neves, passando pelos Fiscais do Sarney, a renúncia de Collor e o impeachment de Dilma, até chegar à posse de Jair Bolsonaro.
 
Com montagem assinada por Joana Ventura e pesquisa de imagens de Antonio Venancio, esse é um filme de fôlego que não se furta a embrenhar-se nos meandros do processo político, nem sempre muito claro, e suas consequências. Não é necessária uma voz de um narrador comentando e alinhando fatos, a construção da narrativa é toda feita por meio de imagens de arquivo e seus áudios.
 
A eleição de 1989, por exemplo, já se dá de maneira bastante midiática, com, possivelmente, os mais midiáticos dos candidatos: Collor e Lula. Começa aqui, não por acaso, um projeto de neoliberalização da economia brasileira, que ganhou força na década seguinte, no governo de Fernando Henrique Cardoso, com a privatização de estatais. Esse é um tema que gravita, das maneiras mais variadas, ao longo do filme.
 
Questões perenes no país atravessam o filme: inflação, fome, educação, indígenas, corrupção, o próprio cinema. Cada governo, de Collor a Michel Temer, são assuntos sempre em voga – assim como algumas figuras, como o próprio Lula e Roberto Jefferson, que emerge como um político manipulador e nefasto. Percebe-se que discursos mudam conforme as necessidades do momento, deixando claras as contradições humanas e políticas.
 
É inegável também que o filme passa mais tempo concentrado nos governos do PT – entre 2002 e 2016 -, em especial nas presidências de Lula, abordando os escândalos de corrupção. Parece um tanto desigual a abordagem do mesmo assunto, no filme, em governos anteriores. É bem verdade que Camurati e seu filme não se furtam de criticar – e levantar pontos positivos, quando houve – de todos os governos, mas também é inegável que há uma concentração maior (ou espetacularização maior), no documentário, nos anos petistas.
 
A construção do filme desnuda um processo político que parece colocar em xeque constantemente nossa frágil democracia, facilmente manipulável por notícias falsas Nesse sentido, 8 Presidentes 1 Juramento é desolador e melancólico – não por conta do filme em si. Camurati, que aparece por alguns segundos no filme (quando da criação da Ancine, por FHC), dá forma narrativa à história nacional mediada pelos 8 presidentes do Brasil desde o fim da ditadura.
 
O filme termina com o áudio da famosa reunião ministerial de 22 de abril de 2020, comandada pelo atual presidente proferindo vários absurdos intercalados com xingamentos e obscenidades, estabelecendo um contraste marcante com momentos-chave do filme, como, por exemplo, o emocionado discurso da presidenta Dilma Rousseff por ocasião da criação da Comissão da Verdade.

Alysson Oliveira


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