O longo caminho para casa

O longo caminho para casa

Ficha técnica

  • Nome: O longo caminho para casa
  • Nome Original: The Long Way Home
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: EUA
  • Ano de produção: 1997
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 120 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: Mark Jonathan Harris
  • Elenco:

País


Sinopse

Amparando-se em relatos de sobreviventes, materiiais de arquivo e entrevistas, o documentário de Mark Jonathan Harris retrata os sofrimentos dos judeus após o final da II Guerra. Libertados dos campos de concentração, os judeus europeus não conseguiam retomar suas casas e suas vidas. Surge, assim, o movimento pela criação do Estado de Israel.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

16/11/2021

Vencedor do Oscar como melhor documentário em 1998, o filme de Mark Jonathan Harris retrata os três dramáticos anos que se seguiram ao final da II Guerra Mundial, 1945-1948, para focalizar um período em que os judeus sobreviventes do Holocausto foram submetidos a uma série infindável de outros desafios.
 
Amparado em excepcional pesquisa de materiais de arquivo e entrevistas, Harris focaliza como, depois da guerra propriamente dita, sobreveio outra guerra. Nela, estava em jogo novamente a sobrevivência dos judeus. Embora não mais submetidos às torturas e maus-tratos dos campos de concentração, milhões de judeus europeus não conseguiam realizar seu maior desejo - voltar para casa. Esse retorno aos seus países de origem, quando foi possível, não raro, colocou vários deles em perigo, em lugares assolados por um antissemitismo que não acabou com a derrota de Adolf Hitler. Em países como a Polônia e a então Tchecoslováquia, por exemplo, alguns desses judeus foram maltratados e até mesmo mortos quando tentaram retomar suas casas e suas vidas. 
 
Tendo como texto trechos dos relatos, diários e cartas de diversos sobreviventes, lidas por atores como Martin Landau, Helen Slater, Miriam Margolyes e outros, o filme injeta uma nota profundamente pessoal às imagens, documentando a jornada de sobreviventes, novamente deslocados, amontoados em campos, agora de refugiados, não raro nos mesmos locais onde antes havia campos de concentração. A paisagem sombria de cercas de arame farpado e guardas armados continuava a assombrar seu cotidiano, enquanto os líderes políticos e militares vencedores da guerra procuravam reordenar uma Europa reduzida a escombros e um mundo atônito diante da destruição e dos crimes cometidos contra a humanidade.
 
Em meio a esse impasse, surge o movimento que culminou na criação do Estado de Israel, marcado pela oposição do Império Britânico, então controlador da Palestina, e a resistência dos povos árabes. Enquanto isso, movimentos guerrilheiros sionistas uniam-se, promovendo atentados na Palestina, ao mesmo tempo que judeus de toda a Europa desafiavam a proibição britânica, lotando navios que se dirigiam clandestinamente à região.
 
É foco inequívoco do documentário exaltar o espírito de luta dos judeus de várias partes da Europa, empenhados na tarefa de sobreviver - muitos na Palestina, outro tanto nos EUA, onde tinham parentes, o que não foi garantia de acolhimento incondicional. Vários imigrantes relatam que eram impedidos de falar sobre seus sofrimentos nos campos ou da maneira como haviam morrido parentes em comum. A ordem era esquecer, seguir em frente. 
 
Por toda essa complexidade, o documentário é de extrema importância para retratar um momento da História que nem sempre se identifica como de tamanha instabilidade e sofrimento, revelando de que modo as sequelas da II Guerra foram sendo acomodadas pelo processo histórico. O filme termina com uma nota de euforia pela criação de Israel, um sonho que, em diversos momentos, pareceu impossível. Mas, a esta altura da História, impossível também pelo menos não lembrar que a resolução da ONU em 1948 previa a criação de dois estados, um judeu, outro árabe, e que isto, até hoje, resta irresolvido, arrastando-se há décadas o dramático dilema dos palestinos.  

Neusa Barbosa


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