Apagada

Apagada

Ficha técnica


País


Sinopse

Ao dar à luz, Ana descobre que foi apagada do sistema quando seu país, a Eslovênia, se separou da Iugoslávia, nos anos de 1990. Agora, para poder ficar com sua filha, ela precisa enfrentar toda uma imensa burocracia e provar legalmente que existe.


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Crítica Cineweb

08/11/2021

Escritor e roteirista respeitado, o esloveno Miha Mazzini estreia na direção de cinema com Apagada, que traz a croata Judita Frankovic numa interpretação marcante, num pesadelo com tintas do absurdo kafkiano. Após dar à luz, Ana enfrenta uma grande burocracia para poder ficar com sua filha. As origens do drama dela estão no começo dos anos de 1990, quando a Eslovênia se separou da Iugoslávia, e mais de 25 mil pessoas foram literalmente apagadas do mapa – seus documentos perderam a validade e, com isso, perderam todos os direitos. Burocraticamente falando, deixaram de existir.
 
Ana é uma dessas pessoas e só se dá conta disso quanto sua filha nasce. Sérvia, cuja família imigrou para Eslovênia, seus documentos são literalmente cortados com uma tesoura. Pior do que isso, ela recebe alta, mas sua bebê não. Presa a um labirinto de papeis e burocracia, não há advogados que consigam resolver seu problema, assim como de tantos outros e outras na mesma situação.
 
Na sua via crúcis aos órgãos governamentais, em busca de resolver sua situação, conhece um rapaz na mesma condição que a aconselha: basta não se envolver em problemas e se tornar invisível que você pode continuar vivendo aqui. Mas para ela é mais complicado, há uma criança dependendo dela. A menina, porém, por ser nascida na Sérvia, tem documentação e nacionalidade, mas, legalmente, não tem uma mãe, por isso é retida na maternidade.
 
O pai da criança (Sebastian Cavazza) é um homem casado que nem sabia da gravidez. Ligado ao governo, ele tenta resolver o problema de Ana das maneiras mais variadas possíveis, colocando até a mídia em ação. Porém, as coisas só pioram. Há também os pais da protagonista (Izudin Bajrovic e Silva Cusin), com quem ela tem pouco contato.
 
A força dramática de Apagada está em Frankovic e sua performance arrebatadora como uma professora de pré-escola de mãos atadas diante das atrocidades cometidas contra ela e sua filha. Por incrível que pareça, a situação dela é real: pessoasassim são realmente chamadas de “apagadas” e, como o rapaz que ela conhece, levam uma existência escondida, tentando não perturbar ninguém para não chamarem a atenção. Apagada é um filme que faz a denúncia de uma condição que se perpetua até hoje e, ao mesmo tempo, um drama sobre uma mãe tentando proteger sua filha.

Alysson Oliveira


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