Enquanto houver amor

Ficha técnica


País


Sinopse

Grace e Edward são casados há 29 anos, apesar das grandes diferenças de temperamento entre os dois, ela expansiva, ele apático. Um dia, ele decide deixá-la, porque se apaixonou por outra mulher. Grace reage da pior forma possível, sem querer aceitar. O filho do casal, Jamie, entra no meio, tentando aparar as arestas.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

08/11/2021

Há várias sutilezas neste filme de título enganoso e vago, escrito e dirigido por William Nicholson - que é mais reconhecido como roteirista, aliás duas vezes indicado ao Oscar (por Terra das Sombras, em 1993, e Gladiador, em 2000).
 
O que o título Enquanto Houver Amor não revela - se é que revela alguma coisa - é que se trata de uma história sobre dor, perda e incapacidade de lidar com o amor ou a separação. E nestes temas, que já foram tratados tantas vezes no cinema, o filme inova  ao menos no aspecto de incorporar o filho de um casal que se separa à sua trama e o faz de forma convincente e sagaz.
 
Muito ajuda que este filho seja interpretado por um ator tão sutil e empenhado quanto Josh O’Connor, no papel do jovem Jamie, que se vê mergulhado no turbilhão em que foi lançada sua família no momento em que seu pai, Edward (Bill Nighy), decide deixar a mulher, Grace (Annette Bening), com quem estava casado há 29 anos. E isso porque se apaixonou por outra mulher, Angela (Sally Rogers).
 
Vivendo numa bucólica cidadezinha litorânea, a família encontra nessa paisagem uma metáfora ideal dos ventos que sacodem seus humores. Grace assume uma postura inconformada e mesmo belicosa diante do abandono, quase tanto como antes desafiava a atitude passiva do marido diante de quase tudo. Annette Bening é uma atriz de muitos recursos e consegue atravessar muitas nuances do estado de desespero de sua personagem, que decide lutar contra a separação de algumas das piores formas possíveis.
 
Há tempos vivendo em Londres, o filho se sente pressionado a estar mais perto da mãe neste momento difícil. Esta convivência mais estreita, ainda que somente nos fins de semana, o expõe também a sair de sua própria atitude passiva diante da possibilidade de paixão e envolvimento - ele mesmo está vivendo um impasse numa tentativa de relacionamento e encontra no conflito entre os pais um modelo que o desafia a encontrar alternativas para não repeti-lo.
 
Edward segura seu rojão, ele que é o único a estar feliz com sua decisão, de uma forma, como sempre, ultra-controlada, que eventualmente parece até fria - e há momentos em que se pode legitimamente empatizar com Grace em sua exasperação contra este homem tão plácido. Mas ele está ocupando o lugar que lhe cabe na história, em que Grace e Jamie se tornam dois pólos de atração e afeto tão cativantes que se pode deixar de fora tudo o mais. São eles, afinal, os dois trunfos de um filme modesto mas bastante bom de ver, porque destituído daqueles exageros e voragens salvacionistas de que vêm impregnados tantos filmes sobre divórcios. Nem tudo pode ser salvo, mas a vida sempre pode continuar de outro jeito. 

Neusa Barbosa


Trailer


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