A voz humana

A voz humana

Ficha técnica


País


Sinopse

Dentro de um apartamento, uma mulher passa por toda uma série de emoções desencadeadas pela perda de seu amante, que a deixou há 3 dias, depois de terem ficado juntos por quatro anos. Ela espera ansiosamente que ele telefone para marcar quando virá pegar suas coisas.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

26/10/2021

O primeiro filme em inglês de Pedro Almodóvar, um intenso curta de 30 minutos, registra um encontro mágico - entre o cineasta espanhol, um dos mais intensos do mundo, e a talentosa atriz inglesa Tilda Swinton.
 
Num enredo que adapta livremente a peça teatral de Jean Cocteau, uma assumida fixação de Almodóvar, os recursos interpretativos múltiplos de Tilda são tudo o que se precisa para traduzir, na tela, o arco de emoções complexas de uma mulher entregue à dor do abandono pelo amante.
 
Os dois viviam juntos há quatro anos e há três dias ela percorre insensatamente esse apartamento vazio - que assume seu artificialismo de espaço cenográfico, não só pelos móveis e objetos como por estar anexo a um galpão em desmonte. Sua única companhia é o cão Dash, ele também abandonado pelo homem que a deixou, tão ou mais perplexo do que ela diante desta partida.
 
Tilda é uma explosão de energia num momento, de mágoa no outro, de raiva, de desespero, alternando as notas de cada instância emocional com alterações de voz, expressão facial e movimentos que projetam sua figura longilínea nestes espaços em que tudo parece tão impecavelmente projetado e, no entanto, está a um passo da total desarticulação. Assombrando tudo, como um fantasma, a figura do ausente é lembrada por meio de um terno em cima da cama e de malas prontas perto da porta. 
 
A música de Alberto Iglesias, um parceiro constante de Almodóvar, pontua essa via-crúcis, que na primeira sequência se dá fora do apartamento, quando a personagem compra um machado - e o atendente da loja é Agustín Almodóvar, irmão de Pedro e aqui, mais uma vez atuando como produtor.
 
Uma grande parte do filme é uma conversa ao telefone, em que a amante abandonada fala com aquele que a deixou, despejando nessa torrente de palavras todo o turbilhão que lhe vai por dentro. A mão do diretor está não só no controle da temperatura deste enredo a fogo lento como na apoteose de suas cenas finais. Poucos, como Almodóvar, sabem chegar tão perto do coração selvagem dos amantes contrariados. E Tilda é um digno violino para tocar esta melodia furiosamente complexa, contraditória e finalmente libertária.

Neusa Barbosa


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