Crianças do sol

Crianças do sol

Ficha técnica


País


Sinopse

Ali, Reza, Mamad e Abolfazl são quatro garotos pobres, que precisam trabalhar para ajudar a família. Um criminoso vale-se disso para convencê-los a matricular-se numa escola e, a partir de um túnel embaixo dela, resgatar um pacote que eles dizem ser de um tesouro.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

25/10/2021

Representante do Irã em 2021 na disputa de uma vaga de filme em língua estrangeira, além de participar do Festival de Veneza 2020, o drama do veterano cineasta iraniano Majid Majidi (Filhos do Paraíso) renova o apego do diretor a enredos de cunho social, com forte interesse pelas crianças, aqui aquelas que são vítimas do trabalho infantil. Os personagens da história, roteirizada também por Majidi com Nima Javidi, são, aliás, atores amadores - o que empresta uma verdade particular à maneira como vivem seus dilemas.  
 
Ali (Roohollah Zamani), 12 anos, é o líder de um pequeno grupo de meninos, que trabalham numa oficina mecânica e, sempre que podem, vão roubar rodas num estacionamento de shopping center, atendendo a “encomendas” que complementam seus parcos pagamentos.
 
Ali é órfão de pai e a mãe (Tannaz Tabatabaei) está internada num hospital para doenças mentais, recuperando-se de um forte trauma, um incêndio que custou a vida da filha caçula. O pai de seu amigo Reza (Mani Ghafouri) está preso. O pai de Mamad (Mohammad Mahdi Mousavifar) é viciado em drogas. Abolfazl (Abolfazl Shirzad) faz parte de uma família de refugiados afegãos, que são frequentemente discriminados. Sua irmã, Zhara (Shamila Shirzad), vende meias no metrô, tendo que correr dos fiscais para não ser presa. 
 
Os adultos, quase sempre, tratam os meninos com extrema dureza, instrumentalizando-os para seus próprios interesses, inclusive escusos. Conhecendo os problemas familiares de Ali e seus amigos, um criminoso, Heshem (Ali Nasirian), propõe que se matriculem numa escola mas apenas porque, a partir do subterrâneo embaixo dela, poderão recuperar para ele o que ele chama de um “tesouro”.
 
A  trama passa a girar em torno desta escavação tumultuada de um túnel, que os meninos farão às escondidas e que será, como se espera, prejudicado por uma série de incidentes e obstáculos, além dos riscos.
 
A própria escola tem inúmeras dificuldades, apesar do empenho do diretor, o sr. Amani (Ali Ghabashi) e seu vice, Rafie (Javad Ezati). Vivendo de doações particulares, sem ajuda do governo, a escola agora está ameaçada de despejo, o que colocaria na rua seus 280 alunos carentes e desassistidos.
 
Majidi pontua seu melodrama de um realismo semidocumental, que não raro lembra os filmes neorrealistas, valendo-se das vivências de seu elenco infantil, mas eventualmente escorregando num tom exagerado, por mais que suas intenções sejam claramente as melhores. Em termos cinematográficos, o diretor cria genuína tensão em alguns episódios da escavação e conclui seu filme com uma bela sequência poética na escola vazia, que em parte compensa alguns de seus excessos. 

Neusa Barbosa


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