Tremores

Ficha técnica


País


Sinopse

Ao assumir sua homossexualidade, Pablo se depara com um mundo muito repressor. Abandonado pela mulher e proibido de ver os filhos, ele acaba aceitando participar de um "tratamento" controverso.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

25/10/2021

Tremores, segundo filme do guatemalteco Jayro Bustamente (A Chorona), a grosso modo, trata daquele que Oscar Wilde definiu como “o amor que não ousa dizer o seu nome”, ou seja, a homossexualidade – mas não apenas sobre isso. O longa, tal qual o outro no festival, começa uma família rica em crise, quando um dos filhos, como diz alguém, foi tirado do armário. Uns dizem que é apenas uma fase, uma amiga da esposa (sem saber que o amante é um homem) pergunta se a outra é mais nova. “Isso é coisa de homem reafirmando sua masculinidade”, completa.
 
Pode até ser, mas por maneiras inesperadas e repletas de crises morais e emocionais de todos os envolvidos. Pablo (Juan Pablo Olyslager) é abandonado peloS pais, pela mulher, Isa (Diane Bathen) e proibido de ver seus filhos pequenos. Ele sai de casa, aluga um apartamento e tem encontros regulares com o homem que ama, Francisco (Mauricio Armas Zebadúa), que é assumido e sem qualquer problema com sua sexualidade.
 
Pablo, no entanto, não tem a mesma resolução,e as pressões cada vez mais enfraquecem sua escolha. Perde o emprego, o direito de chegar perto dos filhos – nem à aula de natação deles pode ir, é visto como pedófilo. Diante desse cenário, ele se submete a um programa de "cura gay" promovido por uma igreja cristã extrema, aplicado por uma pastora (Sabrina De La Hoz).
 
É uma situação controversa que o filme não tem medo de encarar de frente. Acompanhamos o “tratamento”, que envolve banhos num vestiário onde todos os “doentes” nus olham uns para os outros tentando conter a tentação, até outras medidas médicas. Pablo é um personagem coerente e bem construído na interpretação de Olyslager (em A Chorona, ele faz o segurança do protagonista). É a crônica da destruição de uma identidade, do aniquilamento de uma pessoa diante de uma sociedade homofóbica.
 
Com fotografia do venezuelano Luis Armando Arteaga (As herdeiras), Tremores tem a mesma atmosfera claustrofóbica de pesadelo opressivo de A Chorona. No díptico, Bustamante realiza uma investigação de classe, falando das elites e colocando como na dinâmica sócio-histórica de seu país os povos nativos são marginalizados como trabalhadores para os ricos. Isso resulta num detalhe que traz riqueza para os filmes: vemos na tela a reprodução da sociedade local e como, a seu modo, essas figuras têm um ponto de vista privilegiado para assistir, em primeira mão, as aflições burguesas de seus patrões. É por meio deles e delas que Bustamente constrói sua crítica.

Alysson Oliveira


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