A Ronda

A Ronda

Ficha técnica


País


Sinopse

Inspirado na peça homônima de Arthur Schnitzler, o filme acompanha uma série de 10 vinhetas, sempre envolvendo um homem e uma mulher pouco antes de um possível encontro sexual.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

15/10/2021

Escrita no final do século XIX, mas só apresentada profissionalmente nos anos de 1920, a peça A Ronda, do austríaco Arthur Schnitzler, o mesmo autor cujo Breve Romance de Sonho serviu de base para De Olhos Bem Fechados, de Stanley Kubrick. A obra é polêmica, consistindo de uma série de cenas antecedendo encontros que culminarão numa relação sexual. Começa com um soldado e uma prostituta, na seguinte, estão o mesmo soldado e uma empregada, depois ela e outro homem, e assim, sucessivamente, até chegar à última cena, com a prostituta e um conde.
 
Dirigida pelo alemão Max Ophüls, na França, A Ronda mantém mais ou menos a mesma estrutura da peça original, com mudanças como a introdução de um narrador ou mestre de cerimônias, que servirá de elo entre as cenas. É um dispositivo que tira um pouco do charme e da estrutura da peça, mas talvez seja uma saída mais cinematográfica encontrada pelo diretor – assinando o roteiro com Jacques Natanson.
 
Esse narrador, interpretado por Anton Walbrook, abre o filme dizendo ser a personificação do desejo. Ele dominará o filme o tempo todo, jogando doses de cinismo nas vinhetas que, às vezes, parecem ingênuas. Cada uma delas encerra-se em si mesma e todas têm o mesmo peso dentro do filme, embora algumas tenham um efeito mais duradouro. O cenário é todo estilizado, remetendo às ruas de Paris e ao rio Sena, o que, em si, injeta mais peso teatral a uma obra que transita entre o cinema e o teatro filmado.
 
Ophüls e Natanson baixam a voltagem e a tensão sexual da peça original, mas se mantêm fieis ao perfil dos personagens. Depois da apresentação de Walbrook, estão em cena o soldado (Serge Reggiani) e a prostitua Leocadia (Simone Signoret), uma personagem que só retornará no final, num encontro com um conde (Gérard Philippe). O tom cômico e até leve adotado pelo diretor parece dar-lhe mais liberdade formal do que em seus excelentes melodramas, como Carta de uma desconhecida e Na teia do destino, que parecem, formalmente, filmes mais apurados mesmo. A Ronda, obviamente, não chega nem perto da obra-prima do cineasta, Lola Montés, seu último filme, de 1955, mas, por si só, tem seus méritos.
 
Em seu lançamento, na França, em 1950, A Ronda foi um enorme sucesso de público, embora a crítica não tenha dado seu devido reconhecimento na época. Há momentos memoráveis, como aquela em que a personagem de Danielle Darrieux, uma jovem esposa, se encontra com um homem inseguro, interpretado por Daniel Gélin. No primeiro segmento, o soldado diz que “a felicidade não existe”, e isso é um sentimento que parece pesar sobre todos e todas nesse filme – o que não impede ninguém de, mesmo assim, a procurar.

Alysson Oliveira


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