Convidado de honra

Ficha técnica


País


Sinopse

O pai de Veronica, Jim Davis, acaba de falecer e deixou recomendado que seu funeral fosse realizado numa determinada igreja. Enquanto conversa com o padre local, Veronica começa não só a examinar sua própria vida como a descobrir aspectos desconhecidos sobre seu pai.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

13/10/2021

Concorrente na competição principal no Festival de Veneza 2019, o drama familiar do diretor Atom Egoyan parte de um roteiro original para compor a reconstituição da figura de um pai, Jim Davis (o extraordinário ator britânico David Thewlis, perfeito no papel).
 
Quando o filme começa, ele acaba de morrer. Sua única filha, Veronica (Laysla de Oliveira, canadense filha de brasileiros), seguindo suas instruções, dirige-se a uma igreja católica para encomendar seu funeral. Será basicamente a sua conversa com o padre Greg (Luke Wilson) o fio condutor de uma narrativa em que revelações íntimas, dolorosas e desconcertantes vão brotando pelo caminho. O que é, afinal, o mais forte traço da obra deste veterano diretor, que nos brindou com tantos acertos, como O Doce Amanhecer e O Fio da Inocência, entre tantos outros.
 
O padre deseja saber alguma coisa a respeito deste homem, cuja alma vai encomendar, o que transforma sua conversa com Veronica numa espécie involuntária de terapia à qual não escapam descobertas chocantes.
Thewlis é um ator de muitos recursos e ocupa com toda a humanidade possível os contornos deste personagem inusitadamente envolvente, um inspetor sanitário de restaurantes, viúvo, que ficou encarregado de criar a filha (quando criança, interpretada por Isabelle Franca). Por conta dessa interpretação penetrante, decifra-se o cotidiano solitário deste homem meticuloso, que carrega uma malinha repleta de aparelhinhos de medição, exercendo seu trabalho com um rigor quase maníaco. Uma de suas raras companhias é o coelho Benjamin, que pertence à filha. 
 
Esta personalidade detalhista, no entanto, não torna Jim um burocrata insensível diante dos transtornos que sua fiscalização eventualmente causa nas vidas dos proprietários dos restaurantes que ele visita. Ele compartilha muito mais de suas aflições do que imaginam, como a certa altura se vai revelar.
 
A trajetória deste homem cujo único grande amor, a esposa, morreu, entrelaça-se inevitavelmente com a desta filha, desenrolando na existência dela um emaranhado de malentendidos e culpas que ela finalmente escolhe uma estranha via para expiar. Neste episódio, terá papel central um motorista de ônibus, Mike (Rossif Sutherland, outro membro do clã, filho de Donald).
 
Egoyan mantém sob controle o ritmo das revelações deste relato em flashback, indo e voltando à conversa com o padre - uma interpretação sutil de Luke Wilson, que a princípio parece uma escolha estranha para este papel mas dá muito bem conta do recado.
 
O enigmático título explica-se numa sequência perto do final, em que Thewlis, depois de algumas taças de vinho, finalmente desabafa - e não diante dos melhores ouvintes - a imensa carga emocional que carrega sozinho, sua dor ao não compreender uma estranha escolha da filha. Este sentido de perda, que tantas vezes marca as obras de Egoyan, atinge aqui a densidade precisa, com momentos genuinamente emotivos e nenhum deles piegas. 
 
As paisagens de Hamilton e Toronto, no Canadá, entram na composição de uma atmosfera delicada de outono, na fotografia cristalina de Paul Sarossy, amparada também na dramaticidade intensa e grave da trilha sonora de Michael Danna, um parceiro habitual de Egoyan. 

Neusa Barbosa


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