Amarração do amor

Ficha técnica


País


Sinopse

Bebel e Lucas estão apaixonados e pretendem se casar. Ela vem de uma família judia e ele, de uma umbandista. O pai da noiva e a mãe do noivo entram em guerra, fazendo de tudo para que a cerimônia seja seguindo apenas uma religião.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

06/10/2021

Em seu segundo longa como diretora, Caroline Fioratti mostra que as qualidades de Meus 15 anos não foram sorte de iniciante. Amarração do Amor é uma raridade no grupo das comédias brasileiras recentes – especialmente no que diz respeito às comédias românticas. Delicado e divertido, o filme não precisa apelar para truques baixos para fazer rir e, melhor ainda, sabe usar os clichês a seu favor.
 
O ponto de partida é aquela velha história de dois jovens que se apaixonam, mas as famílias não se dão muito bem e isso pode colocar tudo a perder. O final feliz, como pede o gênero, é visto a quilômetros de distância, mas essa previsibilidade aqui não é um problema, visto que o filme também sabe tirar proveito disso. A diferença entre os dois clãs está na religião: a família da noiva é judia, a do noivo é umbandista. Todo mundo cheio de boa vontade e civilização diz que isso não é um problema, mas, quando chega a hora do casamento, cada lado quer a cerimônia do seu jeito.
 
Bebel (Samya Pascotto) é veterinária e trabalha na clínica do pai, Samuel (Ary França), um judeu praticante, embora não ortodoxo. Ela conhece Lucas (Bruno Suzano), por acaso, e logo se apaixonam. Ele é estudante de medicina e sua família dona de um sítio onde há um terreiro de umbanda. Tudo vai bem, embora o pai e a mãe de cada um não tenha sido apresentado ao outro. E eles resolvem se casar.
 
Obviamente, o filme trabalha com as diferenças das religiões para transformar em humor e é impressionante como Fioratti anda num campo minado sem cometer deslizes. Percebe-se um grande respeito às diferente crenças, sem tomar partido de nenhum lado, sem precisar estigmatizar nem a umbanda nem o judaísmo. Em outras palavras, não precisa de apelação.
 
O casal jovem é o centro do filme, mas são Cacau Protásio, como Regina, e Ary França quem brilham, como a mãe do noivo e o pai da noiva, figuras centrais de suas famílias não dispostas a ceder. Pouco antes de morrer, o avô (Clementino Kelé) de Lucas teve uma visão, e disse que ele se deveria casar no terreiro do sítio. Bebel parece não se importar com isso, mas é um enorme problema para Samuel.
 
O roteiro, assinado pela diretora e Carolina Castro e Marcelo Andrade, é enxuto e não toma caminhos desnecessários, rendendo um filme redondinho de menos de 90 minutos. Fioratti conhece seu material e tira dele e do seu ótimo elenco bons momentos. Protásio, coadjuvante em Vai que Cola (na TV e no cinema) e na novela Avenida Brasil, brilha como a divertida Regina, uma mulher que fala o que pensa, defende sua religião e faz de tudo pelo bem do casamento do filho – até pedir para a futura nora raspar a cabeça, depois de descobrir qual é o orixá da moça. Já Samuel quer, a todo custo, converter o futuro genro – o que inclui uma circuncisão. Tudo poderia facilmente cair no grotesco, mas a direção segura e precisa sabe ir até o ponto certo para evitar isso.
 
Num momento em que tanto se fala de intolerância, Amarração do Amor aborda a aceitação e o respeito, mostrando que as religiões não são tão diferentes quanto parecem. No fundo, todos querem a mesma coisa, conforto e proteção.

Alysson Oliveira


Trailer


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