Pacto de Sangue

Pacto de Sangue

Ficha técnica


País


Sinopse

Quando o agente de seguros Walter Neff vem à sua casa pra renovar o seguro dos automóveis, Phyllis Dietrichson vê nele a grande chance de armar um plano para matar o marido, beneficiando-se de um seguro contra acidentes.


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Crítica Cineweb

04/10/2021

Billy Wilder (1906-2002) foi um talento raro. Nascido na Áustria e radicado nos EUA em meados da II Guerra Mundial, ele se tornou um roteirista disputado e, passando à direção, também um diretor versátil, capaz de cravar um clássico em cada gênero que percorreu. 
 
Pacto de Sangue (1944), seu terceiro filme como diretor, é um deles. Partindo de um livro de James McCain e dividindo a autoria do roteiro com outro escritor policial, Raymond Chandler - que, àquela altura, não tinha qualquer experiência como roteirista -, Wilder abriu caminhos que definiriam parâmetros para o incipiente gênero noir.
Nesta trama em torno de um crime, a primeira coisa de que o diretor abre mão é do mistério da autoria. Logo no começo, o agente de seguros Walter Neff (Fred MacMurray) faz uma confissão ao ditafone. É através de seu relato em off que o filme reconstitui o envolvimento de Walter com Phyllis Dietrichson (Barbara Stanwyck), uma mulher casada e insatisfeita que planeja com ele a morte do marido (Tom Powers).
 
Experiente em seguros, Walter programa meticulosamente cada passo para o assassinato, de forma que pareça um acidente e ele e Phyllis possam desfrutar de uma apólice de seguro que a futura viúva deverá obter. A execução do plano é fria, calculista, conduzida por dois protagonistas que parecem ter suas emoções sempre sob controle. Mais do que a paixão um pelo outro, ambos parecem movidos pelo desafio do crime perfeito. Walter, mais ainda, pela façanha de driblar a investigação que precede o pagamento de seguros deste tipo e que tem em seu chefe imediato, Barton Keyes (Edward G. Robinson), o grande e esperto inquisidor.
 
Aproveitando o talento de Robinson, o diretor deposita neste personagem aparentemente secundário a função de movimentar a trama, desafiando a lógica implacável dos amantes criminosos. Também lhe cabe a missão de inserir um humor cínico em todas as suas participações. É este, aliás, o personagem mais complexo da história.
 
Barbara Stanwyck compõe uma vilã notável, que fez história e marcou várias personagens futuras. Ela é a mulher calculista, com poucos escrúpulos, mas está longe de ser banal, binária. Pode parecer totalmente fria mas emite suas emoções quando lhe convém e sabe muito bem fazer uso de seu sex-appeal - sua primeira aparição em cena, aliás, é enrolada numa toalha. Ela usa uma providencial pulseira no tornozelo e todo o seu charme para vestir o figurino sofisticado de Edith Head - esta, uma campeã na modalidade, vencedora de 8 Oscars depois deste filme. 
 
Os personagens secundários também não estão meramente fazendo figuração. Na economia narrativa de uma história contundente, todos têm sua função a cumprir - como a filha do morto, Lola (Jean Heather), e seu namorado de caráter dúbio, Nino Zachetti (Byron Barr). 
 
Uma característica genuinamente wilderiana comparece aqui - os diálogos rascantes, faiscando ironias, tiradas cínicas, estabelecendo o clima de um mundo amoral, mas que tem suas frestas. Willder não era, afinal, um niilista completo. O final é um bom exemplo disto.

Neusa Barbosa


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