A Infância de um líder

A Infância de um líder

Ficha técnica


País


Sinopse

Vivendo no entre-guerras com sua família abastada, numa propriedade isolada no interior da França, o pequeno Prescott faz o que bem entende. Seu comportamento sem limites pode ser a explicação para o ditador nazista que um dia virá a se tornar.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

04/10/2021

O ator americano Brady Corbet é mais conhecido por atuar em filmes dirigidos por europeus do que de seus conterrâneos. Tem em seu currículo trabalhos com Michael Haneke, Lars von Trier, Olivier Assayas e Bertrand Bonello. Não é surpresa que sua estreia na direção, A Infância de um Líder, mais pareça um filme do Velho Continente – embora sua temática ressoe em qualquer lugar que tenha um fascista no poder.
 
Partindo de uma novela homônima de Jean-Paul Sartre (novamente uma referência europeia), Corbet, que assina o roteiro com Mona Fastvold (sua companheira artística e de vida), cria um pesadelo pós-moderno sobre a infância de um homem que se tornará um ditador fascista, num país qualquer. Com a trama situada no Entre-guerras, o filme poderia ser facilmente sobre a Alemanha, mas não apenas. Inédito nos cinemas brasileiros, o longa traz nos papeis principais Bérénice Bejo, como a mãe do menino, e Robert Pattinson, num papel duplo.
 
Esteticamente, o filme é virtuoso e ousado – o que, para alguns, pode ser tomado como pretensioso, para outros é uma bem-vinda ambição. Da fotografia, assinada por Lol Crawley, à montagem, de Dávid Jancsó, passando pela trilha ótima de Scott Walker, tudo contribui para criar uma atmosfera de estranhamento e desfamiliarização.
 
Claustrofóbico, A Infância de um Líder, quase que na íntegra, situa-se numa casa no interior da França, onde o personagem-título, cujo nome é Prescott (Tom Sweet), vive com a mãe (Bejo) e uma entourage. O pai (Liam Cunningham) é assistente do presidente e visita a família às vezes, geralmente em companhia de um político viúvo (Pattinson). Dividido em três partes (Abertura, 3 “Acessos de Raiva”, e um Coda), o filme discute a dicotomia entre Nature (aquilo que é natural, determinado biologicamente) e Nuture (aquilo que vem do ambiente, da sociedade) na formação de uma pessoa.
 
O menino passa o tempo todo desafiando e entrando em conflito com todos que o cercam, o que envolve atirar pedras e apalpar os seios de sua preceptora francesa (Stacy Martin). O resultado das ações do menino são brigas infinitas com seus pais, cujas punições para o filho são recebidas com zombaria.
 
Alguns anos depois deste filme (de 2016), Corbet faria Vox Lux: A voz de uma estrela, outro filme estranho, sobre gente também estranha. Aqui, o prólogo, chamado “Uma Nova Era”, é ainda mais desconcertante, mas, ao mesmo, tempo, pode iluminar o que se viu até então, uma vez que fecha-se o ciclo indicado pelo título do longa.

Alysson Oliveira


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança