O Homem que Vendeu sua Pele

Ficha técnica


País


Sinopse

Sam Ali é um imigrante sírio em Beirute, que vive em dificuldades e que pretende se mudar para a França, onde encontrará a mulher que ama. Para conseguir dinheiro, ele aceita ceder suas costas para servir de tela de pintura para um artista belga. Como uma obra de arte, o protagonista terá trânsito livre entre os países, mas também sofrerá consequências que não imagina.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

04/10/2021

Indicado ao Oscar de filme em língua estrangeira, O homem que vendeu sua pele se dirige a alguns assuntos quentes do nosso tempo: refugiados e a volatilidade da arte. Dois mundo que se colidem, no longa escrito e dirigido pela tunisiana Kaouther Ben Hania. Ela busca inspiração num fato real: um sujeito que permitiu ser tatuado por um artista plástico belga (Wim Delvoye, que faz uma participação no filme e também assina as obras que aparecem aqui), e suas costas tornaram-se uma espécie de tela, enquanto ele próprio, uma obra de arte viva.
 
Em seu filme, a cineasta adiciona uma outra camada: o homem que vende sua pele é um imigrante sírio que fugiu para o Líbano, de onde espera partir para França, onde se encontrará com sua amada. Ele se chama Sam Ali, e é interpretado por Yahya Mahayni, ator premiado na Mostra Horizonte, no Festival de Veneza de 2020. O personagem faz um pacto faustiano com um artista plástico Jeffrey Godefroi (Koen De Bouw): deixar que suas costas sejam tatuadas e assim, como obra de arte, poderá viajar pela Europa com liberdade. A questão é que a “liberdade” que tem, em troca, não é como ele imaginava.
 
Nascido no que ele considera “o lado errado do mundo”, Sam é um homem cheio de verve e rancor. Alguns anos atrás, após comentários sobre liberdade e revolução na Síria, ele foi obrigado a deixar o seu país e emigrar de Raca para o Líbano, deixando para trás a bela Abeer (Dea Liane), a mulher que tanto ama. Com todas as incertezas que o país enfrenta, ela é obrigada pela família a se casar com Ziad (Saad Lostan), um diplomata que vive em Bruxelas.
 
Depois de um ano morando em Beirute, Sam está disposto a fazer qualquer coisa para ter condições de reencontrar Abeer. É quando, numa vernissage de arte contemporânea, onde entrou atraído pelo coquetel (num momento hilário do filme, ele confunde uma instalação com o buffet), ele conhece Zoraya (Monica Bellucci), que logo percebe que é um imigrante sem dinheiro e o indica a seu chefe, o artista Godefroi. O trato é feito, e Sam receberá 1/3 das vendas da obra tatuada em sua pele mas, em troca, deve aparecer todas as vezes onde for requisitado.
 
Vivendo agora em Bruxelas, o homem-obra-de-arte tem uma vida boa, mas não lhe agrada a ideia de ser exibido num museu. Entra em cena uma ONG de apoio a refugiados, que alega que ele se tornou uma vítima da ganância e exploração de Godefroi. Embora ciente de que foi escolha sua, o protagonista começa a procurar meios de se livrar do trato. Tudo piora quando “é vendido” a um colecionador na Suíça, onde, aparentemente, não há leis proibindo a posse de um ser humano que seja arte.
 
O roteiro de Ben Hania transita por vários temas e elementos, desde a crise de refugiados até o mercado da arte, passando pela comodificação do ser humano. Há cenas que, por sua vez, parecem dever muito ao premiado The Square, de Ruben Östlund, em sua sátira (embora aqui não tão afiada ou ferrenha) ao mundo da arte. A diretora parece acumular assuntos demais em seu filme, nem sempre se aprofundando nas questões e, não poucas vezes, encontrando saídas hollywoodianas para nós de seu roteiro, facilitando a resolução de pontos complexos.

Alysson Oliveira


Trailer


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