Meus dias no Cairo

Meus dias no Cairo

Ficha técnica


País


Sinopse

Juliette é editora de uma revista, há muitos anos casada com Mark, que trabalha na ONU. Os dois combinam uns dias de férias no Cairo mas, na última hora, ele fica retido em Gaza pelo trabalha. Para receber a mulher no Cairo, ele envia um ex-funcionário e velho amigo, Tareq. Ele e Juliette passam muito tempo juntos e uma cumplicidade começa a formar-se.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

04/10/2021

Patricia Clarkson é aquele tipo de atriz que está em inúmeros filmes e, mesmo não sendo a protagonista, é sempre capaz de fazer-se notada pelo refinamento de suas interpretações. Mais uma vez, é isso que acontece no romântico Meus Dias no Cairo, que ela protagoniza, no papel de Juliette. Ela é uma jornalista madura e experiente, casada há muitos anos com Mark Laroche (Tom McCamus), funcionário da ONU. Numa época da vida em que os filhos já são independentes, eles decidiram passar uns dias no Cairo onde, como rezam os clichês, devem ir juntos conhecer as pirâmides.
 
Mas, na chegada de Juliette, Mark não está. Ele ficou retido por por conflitos ocorridos em Gaza e vai demorar uns dias. Para receber sua mulher, ele contatou um antigo funcionário, Tareq (Alexander Siddig), que fará as vezes de cicerone.
 
No filme da diretora canadense Ruba Nadda, o foco está num processo de formação de cumplicidade entre estes dois estranhos, que vêm de culturas diferentes mas têm o coração parado na mesma estação, à espera de uma determinada sintonia. 
 
Sendo um filme dirigido por uma mulher, é muito apropriado que coloque sua heroína ocidental em conflito com algumas situações da realidade local, de maneira sutil, mas incisiva. Acostumada a andar sozinha na rua, eventualmente Juliette tenta passear por sua conta. Causa espanto e é assediada - as ruas, ali, são um território quase exclusivamente masculino, em que uma mulher desacompanhada é vista como caça. Não é diferente quando encontra Tareq num café e descobre que se trata de um estabelecimento exclusivamente masculino. Também lhe chama a atenção o fato de que as adolescentes que tecem os famosos tapetes locais não estudam. O trabalho é uma fonte de renda para juntarem dinheiro para o seu casamento.
 
Essas diferenças culturais entram como pano de fundo no relacionamento entre estas duas pessoas maduras e que carregam consigo uma extensa história emocional - Juliette, seu casamento; Tareq, um antigo amor irresolvido com Yasmeen (Amina Annabi), que ambos encontraram por acaso no aeroporto, na chegada de Juliette.
 
A discussão destas idiossincrasias justamente fornece o contexto para que a amizade entre os dois ultrapasse um estágio de extrema formalidade, tornando-se um diálogo mais íntimo. Requer-se dois intérpretes afinados e também uma diretora delicada para compor-se a atmosfera de uma atração que cresce dentro de uma perspectiva limitada de tempo, em que a iminência da chegada de Mark é uma realidade incontornável. São elementos muito vistos em inúmeras histórias românticas, mas a vantagem é que Ruba Nadda sabe misturá-los com habilidade, dando atenção aos detalhes e aos não-ditos. Deles, especialmente, é que nasce uma emoção candente, que nos acompanha muito depois que o filme terminou.

Neusa Barbosa


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