Meu sangue é vermelho

Ficha técnica


País


Sinopse

Aos 13 anos, Owerá participou da abertura da Copa do Mundo 2014, estendendo uma faixa onde se lia: "Demarcação Já". Agora um rapper, Owerá junta-se a Criolo, em S. Paulo, para criar uma canção celebrando a diversidade. E também parte em viagens por comunidades indígenas no Maranhão e Mato Grosso do Sul, revelando suas artes e seus problemas com invasores.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

21/09/2021

Dando a palavra aos próprios indígenas que retrata, o documentário Meu sangue é vermelho, de Graci Guarani, Marcelo Vogelaar, Thiago Dezan e Tonico Benites, viaja pelos dilemas da identidade indígena do Brasil tendo como guia o rapper e poeta Owerá Jeguaka Mirim, um Guarani Mby’á morador do bairro de Parelheiros, em São Paulo.
Hoje com 20 anos, Owerá tem história: foi ele que, aos 13 anos, entrou em campo na Arena Corinthians, na abertura da Copa do Mundo 2014, e, contrariando o protocolo, abriu uma pequena faixa vermelha, onde se lia: “Demarcação Já”. Uma referência ao maior drama da existência dos povos indígenas no Brasil desde o descobrimento e que continua sendo obstaculizado por invenções como o “Marco Temporal”.
 
Owerá desloca-se por alguns pontos do Brasil, entre o Maranhã e o Mato Grosso do Sul, visando retratar algumas das comunidades indígenas que levam adiante inúmeras batalhas, todas em algum momento passando pela luta pela terra - que, como lembra o líder Inaldo Gamela, “não é uma coisa que nos pertence, nós é que pertencemos a ela”.
Falas como essa, além de outras lideranças, como Sonia Guajajara, Josiel Terena, Fernanda Kaigang e muitos outros, solidificam um mosaico de experiências que convergem para explicar o estado de emergência em que os indígenas se encontram desde sempre, acompanhado em igual medida de um espírito de resistência que, igualmente, vem se opondo ao racismo e à violência há séculos. Este poder de afirmação pode ser visto igualmente em trechos documentais que mostram manifestações massivas em Brasília, como o acampamento Terra Livre, em 2004, em que 200 caixões simbolizaram o genocídio indígena. Sem contar o inesquecível protesto de Ailton Krenak, pintando seu rosto de tinta preta, na Assembléia Nacional Constituinte, em 1987. 
 
Sendo Owerá um músico, o filme abre-lhe também uma brecha para exercitar seu dom ao lado do rapper paulistano Criolo - que com ele divide a criação de uma música que terá um refrão na língua original de Owerá. Essa ponte para uma troca de experiências e, especialmente, para uma escuta é simbólica de tudo aquilo que este documentário procura trazer. Está na hora de todo mundo abrir os ouvidos e ouvir. 

Oportunidade é que não falta: O filme ficará disponível por tempo e acessos ilimitados neste link

Neusa Barbosa


Trailer


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