Sonho de Rui - Um Braddock Possível

Sonho de Rui - Um Braddock Possível

Ficha técnica


País


Sinopse

Rui tem um sonho: interpretar o personagem de Chuck Norris, num remake nacional de "Braddock". Antes disso, precisa vender o apartamento para poder financiar a produção. Entre a visita de um possível comprador e outro, o rapaz tenta lidar com fantasmas do passado e do presente.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

20/09/2021

Rui (Pedro Monteiro) é obcecado por Chuck Norris, a ponto de tentar bancar do próprio bolso uma refilmagem brasileira de Braddock – O Super Comando. No filme de 1984, o astro de ação interpreta o personagem-título, um veterano do Vietnã com a missão de voltar ao país para resgatar americanos que foram capturados. As semelhanças com Rambo II – A Missão não passam despercebidas em Sonho de Rui - Um Braddock Possível, longa escrito e dirigido por Cavi Borges e Ulisses Mattos, a partir do roteiro deste.
 
Interpretado por Pedro Monteiro, Rui é ruivo, uma característica que desencadeia uma série de trocadilhos aliados ao seu nome. O filme é simples, mas eficiente em sua proposta. O protagonista precisa vender o apartamento que o pai deixou de herança – um imóvel grande e de frente para a praia, ou seja, o valor é alto – para poder financiar o filme. Na sua cabeça, está tudo planejado, inclusive ele já se prepara com aulas de inglês (o remake tem que ser falado na língua de Norris) e treinamento físico para interpretar Braddock. Mas as coisas não funcionam como o esperado.
 
Entre um possível comprador e outro, Rui espera e remói suas lembranças do passado, quando, em criança, seu apelido era Bete, por “ser da cor da beterraba”. Um acúmulo de frustrações, bullying e equívocos transformaram o protagonista numa pessoa, digamos, peculiar, repleta de tocs e manias. Assuntos de trabalho, por exemplo, não podem ser discutidos na sala de estar, apenas no escritório – improvisado num quarto.
 
Cavi Borges, conhecido produtor e diretor, pratica um tipo de cinema de guerrilha, com baixo orçamento, equipe enxuta e muita criatividade. Nem sempre funciona, mas em Sonho de Rui tudo isso é usado a favor do filme, e o resultado é uma comédia realmente engraçada, que não apela a escatologias ou piadas ofensivas para fazer humor.
 
A situação do protagonista é cada vez mais nonsense, enquanto os diálogos são sempre afiados e sagazes. Mais do que o ídolo de Rui, o cinema de Chuck Norris e os anos de 1980 são uma inspiração, especialmente na trilha sonora, ou nas cenas em que o protagonista “interpreta” Braddock com imagens tão sujas e com interferências como em velhas fitas de videocassete.
 
Contribui também a perfeita sintonia de Monteiro com o personagem – em especial em uma cena hilária e muito reveladora, na qual Rui conta para um homem negro todas os preconceitos que ele sofre por ser da minoria ruiva. Os coadjuvantes que, na maioria, entram e saem visitando o apartamento, também rendem momentos ótimos. Os destaques, que têm várias cenas, ficam para Esfiha (Pedroca Monteiro), diretor do tão sonhado filme, e Cíntia (Gabriela Estevão), professora de inglês.

Alysson Oliveira


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