Garota da Moto

Garota da Moto

Ficha técnica


País


Sinopse

Joana é uma motogirl que se muda para São Paulo com seu filho pequeno. Trabalhando num ambiente majoritariamente masculino, ela aprendeu a ser uma mulher forte. Quando faz uma denúncia à polícia, depois de presenciar pessoas num trabalho análogo ao escravo, sua vida e de seu filho começam a correr risco.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

20/09/2021

É curioso como Garota da Moto, filme de Luis Pinheiro, a partir da série de televisão homônima, é todo esverdeado. Não importa o cenário, dentro ou fora de algum ambiente, tudo é em tons de verde. Aparentemente, essa é a estratégia para trazer urgência e realismo ao longa protagonizado por Joana, uma motogirl que prefere ser chamada de motofretista, aqui interpretada por Maria Casadevall, substituindo Christiana Ubach - que protagonizou o programa televisivo e não pode fazer o filme por estar grávida.
 
Começa-se com um flashback que dá conta da vida de Joana, que engravidou de um amante rico, que morreu, e foi perseguida pela mulher dele – acontecimentos mostrados na série. Por isso, ela se muda para São Paulo, com o filho pequeno, Nico (Kevin Vechiatto), onde consegue trabalho como entregadora. Numa dessas entregas, ela descobre que se trata de uma oficina com mulheres trabalhando em regime análogo à escravidão. Denuncia o caso para uma amiga policial (Naruna Costa), e esta acaba com o esquema.
 
Isso causa problemas a Joana, que passa a ser perseguida por matadores de aluguel, fornecendo o pretexto para cenas de ação, perseguição e porrada – incluindo cenas de luta em câmera lenta. Tudo isso para mostrar que a protagonista é quase superhumana para sobreviver em um ambiente primordialmente masculino.
 
Bons atores – como Murilo Grossi, como o pai de Joana, e Gilda Nomacce, como um amiga – têm papeis de pouco destaque, que não demandam muito esforço. Casadevall, com cabelos bem curtos, tem a presença cênica que a personagem pede, mas o filme poderia ser mais generoso com ela. Já os vilões são caricatos, incluindo o chefe dos matadores (Roberto Birindelli) e um policial corrupto (Duda Nagle).
 
Garota da Moto é um filme repleto de boas intenções e causas nobres, com roteiro assinado por David França Mendes. Porém, com mais estilo (a maneira como abusa da câmera lenta, além dos tons verdes, é impressionante, assim como a trilha sonora onipresente) do que substância, não consegue dar a devida densidade aos temas densos que pretende abordar. Do trabalho escravo ao empoderamento feminino, tudo é jogado num balaio que se resolve com pancada e tiro.

Alysson Oliveira


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