Filho-mãe

Ficha técnica


País


Sinopse

Laila é viúva e operária, sustentando precariamente seus dois filhos, Amir e a menininha Munes. Um motorista de ônibus, Kazem, começa a cortejá-la e quer casar-se. No entanto, impõe uma condição: Laila terá que abrir mão de Amir, de 11 anos, porque ele vê problemas morais em que o menino e a filha dele, também pré-adolescente, vivam na mesma casa.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

15/09/2021

Pressionado por restrições governamentais, como censura e eventuais prisões e proibições de viagens para alguns de seus realizadores, o cinema iraniano mais recente tem voltado às origens - ou seja, a melodramas aparentemente despojados em que não se manifesta com tanta desenvoltura a sofisticação narrativa de um Abbas Kiarostami ou Jafar Panahi (ele mesmo, restrito a histórias minimalistas, por conta das absurdas punições a que foi sujeito nos últimos anos).
 
Este clima manifesta-se em Filho-Mãe, um roteiro do premiado e também perseguido Mohammad Rasoulouf (Urso de Ouro pelo drama Não Há Mal Algum, 2020), dirigido pela cineasta Mahnaz Mohammad, aqui estreando na ficção. A história não poderia ser mais enxuta: uma viúva, Laila (Raha Khodayari), trabalha como operária numa fábrica, lutando para sustentar seus dois filhos, Amir (Mahan Nasiri), de 11 anos, e Munes, ainda bebê. Além das dificuldades econômicas, Laila tem que enfrentar diariamente uma série de preconceitos arraigados contra mulheres como ela. Ou seja, sendo sozinhas, tendo que lidar com seus próprios problemas, são tratadas como se não tivessem esse direito sem ter um homem ao lado.
 
Assediada para casar-se com Kazem (Reza Bheboudi), motorista de ônibus da empresa em que ela trabalha, ela recusa. Afinal, a primeira condição dele é que abra mão de seu filho - e isto também por causa de um moralismo estúpido. Como Kazem tem uma filha adolescente, não se admite sem malícia o fato de que ela e Amir possam coabitar na mesma casa. 
 
Como indica o título sintético, o filme divide seu foco em duas partes. Na primeira, coloca em primeiro plano o tormento da mãe diante de uma escolha verdadeiramente infernal, a que ela é empurrada depois de dificuldades no emprego. Na segunda, o foco transfere-se ao menino, colocado numa situação insuportável e completamente injusta. Mãe e filho se irmanam nesta posição de seres desvalidos, privados de direitos diante de uma mentalidade que se escuda num falso moralismo para ser cruel, machista e também classista - afinal, trata-se da classe dos trabalhadores, em que a sobrevivência material grita mais alto. Embora se possa sentir falta de uma maior elaboração narrativa ou de uma eventual mão mais leve em uma e outra sequência, é inegável a potência do filme como denúncia.  

Neusa Barbosa


Trailer


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